A movimentação partidária no cenário político de Mato Grosso do Sul ganhou um novo capítulo com a saída do empresário Carlos Bernardo do Partido dos Trabalhadores e seu retorno ao União Brasil. A decisão ocorre em meio a incertezas jurídicas e rearranjos internos que vêm redesenhando a disputa por vagas nas eleições de 2026.
Segundo apuração do site InvestigaMS, o PT deixou claro que não pretende autorizar candidaturas sob judice, o que impactou diretamente os planos de Carlos Bernardo. O empresário dependia de uma manifestação favorável da Justiça Eleitoral para viabilizar sua candidatura, mas optou por não aguardar a definição do Tribunal Regional Eleitoral.

A avaliação de aliados é de que o risco jurídico pesou na decisão. Carlos Bernardo chegou a ser considerado um dos nomes competitivos para disputar uma vaga em Brasília pela sigla, mas o cenário mudou nas últimas semanas.
Nos bastidores, a possível entrada do ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, no campo aliado do PT também influenciou o ambiente interno. A expectativa é de que ele possa se filiar ao PV e disputar espaço dentro da federação com o partido, o que ampliaria a concorrência por vagas e reduziria ainda mais a margem de segurança para outros pré-candidatos.
Diante desse contexto, Carlos Bernardo optou por retornar ao União Brasil, legenda pela qual já teve passagem anterior, buscando um ambiente político mais previsível para tentar viabilizar sua participação no próximo pleito.
A situação jurídica do empresário foi determinante para o desfecho. Ele foi declarado inelegível após realizar uma doação eleitoral acima do limite permitido nas eleições de 2020, quando destinou R$ 90 mil a um candidato a prefeito em Itumbiara, no estado de Goiás, valor superior ao teto legal.
Na eleição municipal mais recente em Ponta Porã, Carlos Bernardo tentou disputar a prefeitura, mas teve o registro indeferido em primeira instância. Posteriormente, conseguiu reverter a decisão no Tribunal Regional Eleitoral, o que permitiu sua participação no pleito. O caso ainda chegou ao Tribunal Superior Eleitoral, mas não teve julgamento definitivo, já que a ministra Cármen Lúcia considerou que a ação perdeu o objeto após o candidato não ser eleito.
A saída do PT, além de encerrar uma tentativa de consolidação dentro da legenda, também abre espaço para novos rearranjos políticos. A possível entrada de nomes com maior densidade eleitoral na federação pode alterar a configuração das chapas e influenciar diretamente o desempenho dos partidos nas urnas.
Com a mudança, o cenário segue em aberto e indica que as definições para 2026 ainda devem passar por novas reconfigurações, especialmente entre partidos que disputam o mesmo eleitorado e espaço político no estado.

