O vereador Marquinhos Trad volta a se movimentar no tabuleiro político de Mato Grosso do Sul e reforça uma marca que tem acompanhado sua trajetória recente: a adaptação constante ao cenário eleitoral, mesmo que isso implique contradições públicas e reposicionamentos estratégicos. Segundo apuração do Fato67, o parlamentar estuda deixar o PDT e se filiar ao Partido Verde como alternativa para viabilizar sua candidatura a deputado estadual nas eleições deste ano.
O movimento, no entanto, não pode ser analisado de forma isolada. O PV integra a Federação Brasil da Esperança, ao lado do PT e do PC do B, uma aliança nacional formalizada e com atuação conjunta obrigatória nas eleições proporcionais. Na prática, uma eventual filiação de Marquinhos Trad ao PV o colocaria diretamente dentro do mesmo projeto político do PT, partido ao qual ele próprio já fez críticas públicas no passado e do qual tentou se distanciar em momentos estratégicos.
A mudança de rota ocorre em meio à fragilidade do PDT em Mato Grosso do Sul. Com a saída do deputado Lucas de Lima, o partido perdeu densidade eleitoral e hoje enfrenta dificuldades reais para atingir o quociente necessário para eleger um deputado estadual. Internamente, a avaliação é de que a legenda corre sério risco de ficar sem representação na Assembleia Legislativa, o que tornaria a permanência de Marquinhos Trad um risco direto à sua sobrevivência política.
O histórico recente do vereador evidencia o grau de incoerência do discurso. Em 24 de janeiro de 2025, quando se discutia a possibilidade de uma federação entre PT e PDT, Marquinhos foi categórico em declaração ao Fato67: “Com toda certeza, não ficaria na fusão”. A fala foi interpretada como uma tentativa clara de se afastar do campo petista e preservar sua imagem junto a um eleitorado mais resistente à esquerda.
Meses depois, em dezembro de 2025, o tom mudou. Questionado pela reportagem sobre a possibilidade de deixar o PDT para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, Marquinhos reagiu com irritação e ironia. “Quem está falando isso não deve gostar de mim, porque eu perco minha cadeira na Câmara”, disse à equipe do Fato67. A declaração, além de contraditória, expôs o receio de perder espaço institucional, evidenciando que o cálculo eleitoral passou a falar mais alto do que qualquer convicção partidária.
O pano de fundo dessa movimentação é ainda mais sensível. Marquinhos Trad está inserido em um núcleo familiar profundamente ativo na política estadual. Seu irmão, Fábio Trad, é pré-candidato ao governo do Estado pelo PT, justamente um dos pilares da Federação Brasil da Esperança. Já o senador Nelsinho Trad, também irmão de Marquinhos, articula a formação de uma frente política para enfrentar o governador Eduardo Riedel, do PP, que conta com o apoio do PL e do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesse contexto, a eventual filiação de Marquinhos ao PV deixa de ser apenas uma escolha partidária e passa a ser vista como alinhamento direto ao projeto político da federação liderada pelo PT. Trata-se de um reposicionamento que contraria suas próprias declarações passadas e reforça a percepção de que o vereador ajusta o discurso conforme a conveniência do momento.
Em vez de apresentar um projeto claro para Mato Grosso do Sul ou esclarecer ao eleitorado quais valores pretende defender, Marquinhos Trad volta ao centro do debate por articulações de bastidor e mudanças de legenda. O episódio amplia o desgaste de sua imagem e fortalece críticas de oportunismo político, especialmente diante de um eleitorado cada vez mais atento à coerência entre discurso e prática.

