Bruno Ortiz, ex-candidato do PL e investigado por injúria e perseguição contra mulher, volta aos holofotes com anúncio de “debate” que a própria prefeita desconhece
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), foi surpreendida nesta semana com a divulgação de um suposto debate ao vivo em que participaria no próximo dia 29 de junho, às 19h, em uma live nas redes sociais. O anúncio foi feito por Bruno Ortiz, ex-candidato a vereador e militante político que vem acumulando polêmicas e rejeição, inclusive dentro de seu próprio partido, o PL.
Em publicação feita no Instagram, Ortiz afirma:
“CAMPO GRANDE vai PARAR! Agora vc terá a oportunidade AO VIVO em uma LIVE! A prefeita estará ON LINE no dia 29/06 […] Vamos questionar tudo o que queremos… Teremos um moderador… Não deixe de assistir!”

Apesar da pomposa chamada, não há qualquer confirmação por parte da prefeita Adriane Lopes ou de sua equipe sobre participação no evento. Questionada pelo Fato67, a assessoria de comunicação da chefe do Executivo municipal afirmou que desconhece o debate e não recebeu nenhum convite oficial por parte do militante.
O Fato67 também entrou em contato com Bruno Ortiz para esclarecer se houve de fato convite à prefeita e qual seria o canal de transmissão do debate. A resposta do militante foi agressiva:
“Bom dia, Fato67 e Roger, eu quero que vcs se lasquem! A vocês não respondo. Se querem respostas, vão até ela.”
A fala, além de deselegante, reforça o comportamento hostil de Ortiz, que já é investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Campo Grande por injúria e perseguição contra uma jornalista e servidora pública.

Histórico de polêmicas
Bruno Ortiz foi candidato a vereador nas eleições municipais passadas pelo Partido Liberal (PL), mas terminou como o nono mais votado da sigla, mesmo após ter recebido R$ 100 mil do fundo partidário. Durante a campanha, dizia que não usaria recursos públicos. Após o pleito, se envolveu em confusões internas no partido e passou a criticar abertamente figuras do bolsonarismo, inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O estopim veio com a denúncia formalizada por uma jornalista, assessora de comunicação da Prefeitura de Campo Grande, que relata ter sofrido ataques pessoais, assédio virtual e zombarias de traumas pessoais, após corrigir uma postagem inverídica feita por Ortiz. Segundo a vítima, o comportamento do militante a levou a crises de ansiedade, necessidade de medicação e registro de boletim de ocorrência.
A postura de Ortiz gerou incômodo dentro do próprio PL. O presidente estadual da sigla, Tenente Portela, não descartou encaminhar o caso ao conselho de ética do partido, o que pode resultar na expulsão definitiva de Ortiz da legenda. Internamente, ele já é chamado de “manequim de tucano”, em referência à sua aproximação com nomes ligados ao PSDB.
Tentativa de exposição ou golpe midiático?
A divulgação do “debate” sem confirmação da outra parte, além de desrespeitosa, pode ser interpretada como tentativa de autopromoção à custa da imagem alheia, especialmente se o intuito for induzir o público a acreditar em um confronto que nunca foi acordado.

Adriane Lopes, única prefeita de capital de direita eleita no Brasil, tem sido alvo de grupos de oposição ligados à esquerda, à militância LGBT e até influenciadores investigados por tráfico de drogas. Mesmo assim, tem mantido postura firme e evitado embates com figuras de baixa relevância política.
A possível falsa expectativa de um “debate ao vivo” pode não passar de mais uma das estratégias de provocação e desinformação promovidas por um militante em decadência. Sem audiência, sem apoio popular e agora com problemas judiciais, Bruno Ortiz parece apostar na polêmica como única forma de se manter relevante, ainda que à custa da verdade e do respeito.

