Pesquisa mostra que candidatura de Pollon pode abrir caminho para Nelsinho Trad na disputa pelo Senado
A nova pesquisa do Instituto Opinião trouxe uma informação que dificilmente passará despercebida pelos estrategistas da direita em Mato Grosso do Sul. Enquanto Reinaldo Azambuja e Capitão Contar mantêm o Partido Liberal ocupando as duas primeiras posições na disputa pelo Senado, o cenário muda radicalmente quando Marcos Pollon entra na equação.
Os números revelam que a chapa formada por Reinaldo Azambuja e Capitão Contar apresenta hoje o melhor desempenho eleitoral entre os cenários testados. Reinaldo aparece com 38,7% e Contar registra 33,7%, garantindo ao PL a liderança das duas vagas em disputa.
O quadro se altera quando Capitão Contar deixa de ser testado e Marcos Pollon passa a representar o partido ao lado de Reinaldo. Nesse cenário, Pollon alcança apenas 14%, ficando atrás de Nelsinho Trad, Vander Loubet e Soraya Thronicke.
Mais do que a queda do desempenho do PL na disputa pela segunda vaga, o levantamento mostra quem seria o principal beneficiado pela mudança: o senador Nelsinho Trad.
Com Contar na disputa, Nelsinho registra 26,1%. Sem o ex-deputado estadual e com Pollon ocupando seu espaço, o senador salta para 36,7% e assume com folga a segunda colocação.
A leitura política é praticamente inevitável. Se hoje o PL ocupa as duas primeiras posições quando apresenta Reinaldo e Contar, a substituição de um pelo outro produz um efeito imediato: fortalece diretamente a candidatura de Nelsinho Trad.
O detalhe ganha ainda mais relevância quando se observa o contexto político estadual. Nelsinho é irmão do pré-candidato ao Governo do Estado, Fábio Trad, nome que vem sendo apontado como alternativa apoiada por setores da esquerda e que busca construir uma frente capaz de enfrentar o grupo liderado pelo governador Eduardo Riedel.
Outro dado que chama atenção é que Pollon aparece atrás não apenas de Nelsinho, mas também de Vander Loubet, principal nome do PT para a disputa ao Senado, e de Soraya Thronicke.
A pesquisa também deixa uma lacuna importante. Não foi testado um cenário com Pollon e Contar disputando simultaneamente as duas vagas do Senado. Também não foram apresentados dados detalhados sobre o comportamento do segundo voto dos entrevistados, fator decisivo em uma eleição onde cada eleitor poderá escolher dois candidatos.
Sem essas informações, permanece impossível medir o potencial completo do eleitorado conservador ou identificar quanto da força eleitoral de Capitão Contar poderia eventualmente migrar para Pollon.
O que os números divulgados permitem concluir é que, entre os cenários apresentados, a fórmula mais competitiva para o PL continua sendo aquela que mantém Reinaldo Azambuja e Capitão Contar ocupando as duas posições da chapa. Já a entrada de Pollon, segundo os dados do levantamento, acaba produzindo um efeito colateral evidente: abre espaço para o crescimento de Nelsinho Trad na corrida por uma das vagas ao Senado.
Cenário 1: Reinaldo e Contar lideram
Reinaldo Azambuja (PL) — 38,7%
Capitão Contar (PL) — 33,7%
Nelsinho Trad (PSD) — 26,1%
Soraya Thronicke (PSB) — 16,6%
Vander Loubet (PT) — 14,3%
Marcos Pollon (PL) — 7,7%
Beto do Movimento (PSOL) — 5,7%
Daniel Júnior (Agir) — 5,1%
Brancos e nulos — 21,8%
Indecisos — 28%
Não opinou — 2,5%
Análise: Neste cenário, o PL ocupa simultaneamente as duas posições de liderança, com Reinaldo Azambuja e Capitão Contar aparecendo à frente dos demais concorrentes.
Cenário 2: Sem Pollon, PL amplia vantagem
Reinaldo Azambuja (PL) — 43,4%
Capitão Contar (PL) — 36,9%
Nelsinho Trad (PSD) — 30,2%
Soraya Thronicke (PSB) — 19,7%
Vander Loubet (PT) — 18,1%
Brancos e nulos — 23%
Indecisos — 25,1%
Não opinou — 3,6%
Análise: A ausência de Marcos Pollon não altera a liderança da disputa. Pelo contrário, Reinaldo e Contar ampliam suas vantagens e mantêm o PL nas duas vagas ao Senado.
Cenário 3: Com Pollon, Nelsinho assume a segunda posição
Reinaldo Azambuja (PL) — 45,5%
Nelsinho Trad (PSD) — 36,7%
Vander Loubet (PT) — 20,8%
Soraya Thronicke (PSB) — 20,7%
Marcos Pollon (PL) — 14,0%
Brancos e nulos — 29,9%
Indecisos — 28,9%
Não opinou — 3,5%
A pesquisa ouviu 1.000 eleitores entre os dias 25 e 27 de maio. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MS-02139/2026.

