Na última semana, foi lançada em Mato Grosso do Sul a cartilha intitulada “Cuidando com Respeito – Gestação de Homens Trans e Transmasculines”, elaborada pelo Ibrat-MS (Instituto Brasileiro de Transmasculinidades) com apoio de parceiros, entre eles o vereador Jean Ferreira, do Partido dos Trabalhadores (PT), que não apenas apoiou publicamente, como ajudou a viabilizar politicamente a produção desse material.
Sim, um vereador eleito para representar os interesses da população está usando sua influência para promover a ideia absurda de que “homem pode engravidar”. O que deveria ser motivo de alerta e crítica virou celebração em certos setores políticos.
A cartilha, inédita no estado, já causa perplexidade por, no próprio título, distorcer a realidade científica ao associar a gestação à figura masculina, uma tentativa explícita de normalizar uma ideologia onde ela simplesmente não cabe: na realidade dos fatos biológicos.

Vivemos o tempo profetizado por G.K. Chesterton:
“Chegará o dia em que teremos que provar ao mundo que a grama é verde.”
Não basta discordar e ignorar, pois fechar os olhos às consequências da nossa omissão é uma escolha perigosa. Este artigo é um lembrete da realidade, um apelo à verdade e um antídoto contra a manipulação ideológica disfarçada de inclusão.

HOMEM NÃO ENGRAVIDA
A anatomia e a fisiologia da gravidez humana evidenciam que o processo de gestação ocorre exclusivamente em indivíduos com útero funcional — característica do sexo biológico feminino, ou seja, da mulher. A gravidez é um fenômeno biológico, não ideológico. Portanto, qualquer pessoa que engravide, ainda que se identifique como homem, está utilizando um corpo com biologia feminina.
É por isso que o sistema de saúde se fundamenta no sexo biológico — porque é ele que define o risco gestacional, os protocolos médicos e os tratamentos. Uma mulher com risco obstétrico não pode ser tratada como “homem gestante” sem que sua saúde seja comprometida.
Se um sistema de saúde passa a ignorar o sexo biológico, a própria medicina entra em colapso técnico. É isso que ocorre quando um homem trans retifica o nome e o sistema não permite exames ginecológicos.
MANIPULAÇÃO DA LINGUAGEM
Associar o termo “homem” à gravidez é mais do que um erro, é uma manipulação intencional. Trata-se da tentativa de redefinir palavras elementares para alterar a percepção da realidade e legitimar imposições ideológicas em políticas públicas, educação e saúde. E essa manipulação da linguagem possui uma intenção política clara: substituir a verdade biológica por construções ideológicas subjetivas.
Isso também ocorre quando expressões como “mulher grávida” são substituídas por “pessoa gestante” ou “homem grávido”. Isso não é inclusão — é subversão semântica. A mudança na linguagem precede a mudança na realidade. Ao se sugerir que a linguagem “inclusiva” seja adotada no âmbito da saúde pública, ela se transforma em arma para forçar conformidade com construções ideológicas — muitas vezes sob o disfarce de respeito e inclusão. Fala-se em “respeito ao nome social” e “acolhimento ao homem grávido”, e quem não adere é rotulado como transfóbico, retrógrado ou inimigo do “respeito”.
Quando se altera o significado de “homem” e “mulher” para agradar a uma ideologia, o que se destrói não é apenas o dicionário — é a própria realidade. E uma sociedade que rejeita a biologia não constrói inclusão, constrói confusão.
Essa confusão tem um preço, principalmente para crianças e adolescentes. Ao ouvirem que “homem pode engravidar”, seus cérebros em formação são forçados a romper com o raciocínio lógico mais básico, gerando um conflito entre o que veem (a realidade) e o que ouvem (a ideologia).
Quando conceitos como “homem” e “mulher” deixam de ter definições claras, a criança entra num estado de ambiguidade permanente, o que gera:
· Ansiedade difusa: o mundo parece imprevisível e incoerente.
· Desorganização cognitiva: ela já não sabe se pode confiar no que vê e sente.
· Fragilidade de identidade: se até “ser menina” é algo fluido, como ela vai entender quem é?
No adolescente que busca pertencimento e identidade, a cultura atual oferece identidades baseadas em sentimentos flutuantes (por exemplo: “gênero é como eu me sinto”), o que o torna vulnerável a:
· Dissociação entre corpo e mente: ele começa a acreditar que seu corpo pode estar “errado” — o que se torna o gatilho psicológico da disforia de gênero.
· Confusão de papéis sociais e afetivos: tem dificuldade para se posicionar como homem ou mulher, ou para se relacionar de forma saudável.
· Transtornos internalizantes (como depressão, automutilação e ansiedade): resultantes de uma instabilidade identitária crônica.
Se não houver intervenção, os efeitos continuam na vida adulta:
· Identidade líquida: depende de validação externa, está sempre mudando e nunca se sente “resolvida”.
· Baixa autoestima: fruto da crença de que o próprio corpo é inadequado.
· Vínculo emocional com o Estado: a validação da identidade passa a vir do coletivo ou do Estado — não mais da biologia, da família ou da fé.
Como demonstrado por Mutsumi Imai, da Universidade de Keio, no artigo Reconsiderando a Hipótese de Sapir-Whorf: O Papel da Linguagem na Formação do Pensamento:
“A linguagem molda diretamente a forma como pensamos e interpretamos a realidade.”
Ou seja: ao alterar termos fundamentais como “homem”, “gestação” e “maternidade”, alteramos as estruturas mentais e culturais que sustentam a compreensão da vida, do corpo e da verdade.
Olavo de Carvalho foi ainda mais direto ao alertar:
“Toda revolução começa pela subversão da linguagem. Você muda o sentido das palavras e o povo não percebe que a realidade já foi trocada. A linguagem revolucionária não tem a função de descrever a realidade, mas de produzir efeitos psicológicos: mobilizar, intimidar, silenciar.”
Fica claro que a linguagem neutra e inclusiva não tem o objetivo de informar — e muito menos de incluir. Ela visa impor sentimentos, cancelar opositores e manipular a realidade.
O instituto responsável pela cartilha integra o Comitê Técnico de Saúde Integral da População LGBT+ da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS). Essa vinculação sugere não apenas uma validação institucional por parte do Estado, mas também um alinhamento ideológico dentro da própria estrutura pública , algo profundamente preocupante.
O apoio do vereador Jean Ferreira (PT) a essa cartilha escancara esse movimento: trata-se de um agente político utilizando seu cargo para legitimar e impulsionar políticas públicas baseadas em ideologia de gênero, e não em ciência. Quando parlamentares usam sua função para distorcer conceitos biológicos fundamentais e promover material confuso como política de saúde, temos um alerta grave: o Estado está sendo instrumentalizado para confundir, não para servir.
Políticas públicas devem ser construídas com base em evidências científicas e dados objetivos, não em narrativas subjetivas ou agendas partidárias.
É lamentável — e perigoso — ver órgãos públicos que deveriam defender a racionalidade científica e o bem comum se curvarem a construções ideológicas que negam o mais básico: a biologia, a lógica e a verdade.
Chegamos a um ponto decisivo. Esta não é uma guerra contra pessoas, mas um chamado à lucidez.
Se deixarmos de questionar agora, corremos o risco de entregar às próximas gerações um mundo onde as palavras não significam mais nada — onde ser homem ou mulher, corpo ou verdade, torna-se questão de opinião.
O que começa como “respeito ao nome social” termina com crianças em guerra contra o próprio corpo e com políticas públicas baseadas em mentiras.
E o silêncio, neste cenário, já não é neutralidade. É concessão.

