Em uma live transmitida no canal Conversa Timeline, no dia 15 de jujho, o jornalista Allan dos Santos, conhecido por seu exílio nos Estados Unidos e suas críticas constantes ao Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizou um momento inusitado ao atacar publicamente o influenciador digital Firmino Cortada, de Campo Grande (MS), chamando-o de “burro para um caralho”.
O estopim da irritação de Allan foi um vídeo publicado por Firmino no dia 14 de julho, onde o influenciador, conhecido por seu estilo irreverente e por se posicionar fora de partidos, questiona a comemoração de parte da direita sobre o tarifasso imposto pelos EUA ao Brasil, uma sanção apoiada por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, supostamente articulada com Donald Trump.
Na gravação, Firmino alertou:
“Eu tinha certeza que o Lula perderia a eleição ano que vem. Eu já não tenho mais. Vocês podem esperar uma subida de popularidade agora com essa questão do tarifasso. Eduardo e Flávio, parem. Vocês estão trabalhando de graça pro Lula.”
Segundo ele, até parlamentares bolsonaristas teriam se mostrado preocupados nos bastidores:
“Conversei com alguns deputados de direita, todos em pânico, e todo mundo com medo de falar, mas eu não tenho rabo preso, gente. […] Vocês vão eleger o Lula.”
A fala destoou do discurso da ala mais inflamada dos apoiadores de Jair Bolsonaro, que considera o tarifasso uma “sanção necessária” diante do suposto alinhamento do governo Lula a regimes como Irã, Hamas e Hezbollah.
“Divertidíssimo, burro para um caralho”
Na live do Timeline, Allan não poupou palavras. Disse que Firmino é engraçado, mas “burro”, e debochou das críticas do influenciador à atuação de Eduardo Bolsonaro. O jornalista afirmou que a raiz do problema está na postura de “isentões” da direita que, segundo ele, abandonaram Bolsonaro desde 2019.
“Agora tá todo mundo vendo a merda que deu e ainda estão quietos. […] Danilo Gentili, Kim Kataguiri, esse pessoal todo do MBL… daqui a pouco o Firmino tá lá com eles.”
Durante o programa, Allan disparou:
“Ele [Firmino] é bom, ele é engraçado, só que é burro. Ele falando que o Eduardo tá atrapalhando o Brasil com esse negócio, porque o tarifasso, sei que não sei o quê, bababau…”
O jornalista Luís Ernesto Lacombe, coapresentador da live, tentou amenizar o tom da conversa, reconhecendo que as tarifas são prejudiciais, mas redirecionando a culpa ao governo Lula, sugerindo que as sanções seriam consequência direta da política externa petista.
A fala de Allan, no entanto, escalou para um desabafo contra opositores de Jair Bolsonaro dentro da direita que, segundo ele, agora “botam o rabo entre as pernas”. Além de Firmino, ele citou nomes como Kim Kataguiri, Renan Santos, Amanda Vettorazzo, Danilo Gentili e até o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que teria se aproximado do MBL.
“Tá todo mundo sentindo as consequências… o Lula tá ligado ao Hamas, Hezbollah, Al-Qaeda, PCC e Comando Vermelho. Algo que já era dito há muito tempo por quem? Professor Olavo de Carvalho. […] Agora tá todo mundo vendo a merda que deu e ainda estão quietos.”
O trecho evidencia uma fratura crescente dentro da base de direita, especialmente entre olavistas, bolsonaristas raiz e influenciadores mais recentes que tentam ocupar espaços com discursos menos extremados. Ao ironizar que “daqui a pouco o Firmino tá lá com o MBL”, Allan insinua que o influenciador estaria se afastando da trincheira ideológica original e se aproximando de uma direita “isentona”, expressão recorrente usada para deslegitimar quem busca se descolar do bolsonarismo.
Contexto
Firmino Cortada, que ganhou notoriedade com vídeos satíricos sobre política e cultura, recentemente vem adotando uma linha mais crítica a determinadas decisões da direita institucional, o que não passou despercebido por setores mais radicais do campo conservador.
A rusga pública revela um movimento interno de disputa por hegemonia dentro do campo da direita brasileira, com figuras como Allan dos Santos tentando preservar uma narrativa fiel ao olavismo e à militância bolsonarista raiz, mesmo diante da crescente fragmentação pós-2022.
Ao colocar o dedo na ferida do tarifasso, um tema delicado, que envolve política externa, interesses comerciais e impacto direto na economia, Firmino rompeu o silêncio que, segundo ele, domina parte dos parlamentares da direita no Congresso.
“A comunicação do governo tá nadando de braçada. Não é possível que vocês não tão vendo.”
Firmino, que já disse não ter interesse em se candidatar, reforçou que sua independência o permite falar o que muitos dentro do PL e partidos aliados não têm coragem de expor.

