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    Prefeito de Terenos e grupo de empreiteiros completam quinze dias presos por corrupção

    Quinze dos dezesseis presos na Operação Spotless permanecem atrás das grades nesta quarta-feira (23). A ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) desarticulou um esquema que teria desviado R$ 15 milhões da Prefeitura de Terenos, a 30 quilômetros de Campo Grande.

    Dos investigados, apenas a empreiteira Nádia Mendonça Lopes, dona da Lopes Construtora e Empreiteira Ltda., obteve autorização para cumprir prisão domiciliar, sob a justificativa de cuidar dos filhos pequenos. Os demais pedidos de liberdade foram negados pelo desembargador relator do caso, Jairo Roberto de Quadros.

    Entre os detidos está o prefeito afastado Henrique Wancura Budke (PSDB), apontado como líder da organização criminosa. Segundo o Gaeco, ele teria recebido ao menos R$ 611 mil em propinas.

    Na terça-feira (23), o magistrado negou o habeas corpus solicitado pelo policial militar Fábio André Hoffmeister Ramires, identificado como sócio oculto da empreiteira Tercam, suspeita de participar de licitações fraudulentas. O recurso sequer foi analisado em seu mérito, por ter sido protocolado de forma inadequada.

    Ramires, que também é maçom, integra a mesma loja maçônica de outros quatro presos.

    Lista de investigados

    Além do prefeito e do PM, foram presos:

    • Arnaldo Santiago, empreiteiro;
    • Cleberson José Chavoni Silva, empreiteiro;
    • Eduardo Schoier, empreiteiro;
    • Fernando Seiji Alves Kurose, empreiteiro;
    • Genilton da Silva Moreira, empreiteiro;
    • Hander Luiz Correa Grote Chaves, empreiteiro;
    • Isaac Cardoso Bisneto, ex-secretário de Obras;
    • Leandro Cícero Almeida de Brito, engenheiro;
    • Orlei Figueiredo Lopes, apontado como “testa de ferro” do prefeito;
    • Sandro José Bortoloto, empreiteiro;
    • Sansão Inácio Rezende, empreiteiro;
    • Tiago Lopes de Oliveira, ex-chefe de gabinete;
    • Valdecir Batista Alves, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico e diretor na Agraer.

    Patrimônio cresceu quase 700% em quatro anos

    O relatório do Gaeco aponta que Henrique Budke teve um crescimento patrimonial de 691% entre 2020, quando disputou sua primeira eleição, e 2024, ano da reeleição.

    Um dos exemplos é a Fazenda Ipê Amarelo, em Aquidauana, comprada por R$ 1,5 milhão à vista. Os investigadores, porém, estimam o valor real em mais de R$ 4,3 milhões.

    Outro indício é a participação na empresa Resilix Ltda.: o prefeito declarou ter investido apenas R$ 1 mil, mas o capital social real da companhia apontaria para uma participação equivalente a R$ 745,9 mil.

    No total, os bens atribuídos ao prefeito somariam R$ 6,1 milhões em 2024, contra R$ 776 mil declarados em 2020.

    Operação Spotless

    Deflagrada em 9 de setembro, a Operação Spotless investiga fraudes em contratos de obras públicas e pagamento de propinas envolvendo empresários, servidores e políticos de Terenos.

    Redação

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