A semana foi de derrotas emblemáticas para o campo conservador em Campo Grande. Em menos de 48 horas, duas decisões reforçaram o avanço da Cultura Woke e fortalecimento da agenda esquerda na capital: a aprovação do Conselho Municipal LGBTQIA+ e o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) ao projeto de lei que proibia atletas do sexo masculino biológico de competirem em modalidades destinadas a mulheres biológicas.
Na Câmara Municipal, o Projeto de Lei nº 12.111/25, de autoria do Executivo, que cria o Conselho Municipal para as Pessoas LGBTQIA+, foi aprovado com 18 votos favoráveis e 5 contrários. A proposta, defendida pela base mais alinhada ao progressismo como
Os vereadores do PT, Luiza Ribeiro que recentemente fez gestos obscenos para servidores da prefeitura de Campo Grande e Jean Ferreira, ativista LGBTQIA+, receberam duras críticas da bancada conservadora, que alertou para o risco de o órgão ser usado como instrumento de militância ideológica e aparelhamento político.
Votaram contra a proposta Ana Portela (PL), Herculano Borges (Republicanos), Leinha (Avante), Rafael Tavares (PL) e Veterinário Francisco (UB). Os demais vereadores presentes se posicionaram a favor. Parlamentares contrários lembraram que Campo Grande já possui estruturas voltadas à defesa dos direitos humanos, como a Secretaria Executiva de Direitos Humanos, e afirmaram que a criação de um conselho específico representaria sobreposição de funções e desperdício de recursos públicos.
Entre os votos favoráveis, um dos que mais chamou atenção foi o do vereador André Salineiro (PL), conhecido por sua atuação alinhada à direita. Questionado sobre o motivo de ter votado a favor do conselho, Salineiro afirmou que seu voto não representou apoio à militância ideológica, mas uma estratégia de fiscalização sobre as políticas públicas e recursos destinados ao setor.
“Como me posicionei na declaração de voto: não sou contra pessoas homossexuais. A luta é contra a militância, que não representa grande parte das pessoas LGBT. O conselho não vai ajudar a militância, pelo contrário, trará controle sobre as políticas públicas e controle de verbas federais”, explicou o vereador ao Fato67.
Enquanto o novo conselho foi aprovado, o segundo revés conservador veio diretamente do Executivo. Em edição extra do Diário Oficial do Município, a prefeita Adriane Lopes vetou integralmente o projeto de autoria do vereador Rafael Tavares (PL), que proibia atletas trans de participarem de competições destinadas ao sexo feminino. O texto havia sido aprovado no plenário, mas, segundo a Procuradoria-Geral do Município, apresentava vício de inconstitucionalidade, por tratar de matéria cuja competência é da União.
O veto foi celebrado por entidades do movimento LGBTQIA+, como a Associação das Travestis e Transsexuais de Mato Grosso do Sul (ATTMS), presidida por Cris Stefanny Venceslau, que elogiou a decisão da prefeita. Em nota publicada nas redes sociais, a associação destacou a “coragem” de Adriane Lopes por, segundo o texto, “respeitar a lei, a Constituição e a dignidade humana”.
O projeto, identificado como PL 11.526, tinha entre seus coautores os vereadores André Salineiro (PL), Ana Portela (PL), Herculano Borges (Republicanos), Wilson Lands (Avante) e Leinha (Avante). Após o veto, Salineiro afirmou que tentará revertê-lo em plenário, defendendo que a proposta “visa proteger o direito das mulheres e garantir a justiça esportiva”.
“Vou lutar para derrubar o veto no plenário e tentar tornar lei essa regra, porque estamos defendendo o direito das mulheres, que não querem isso. A força biológica do homem é diferente, isso é científico”, declarou.
A conjunção das duas decisões, uma no Legislativo e outra no Executivo, consolidou uma semana simbólica para o campo progressista e acendeu o alerta entre lideranças conservadoras da capital, que enxergam uma mudança no equilíbrio de forças políticas dentro da Câmara Municipal e no entorno da prefeita.
Enquanto a esquerda comemora avanços institucionais e discursivos, a direita se reorganiza diante da percepção de que, pela primeira vez em anos, Campo Grande começa a experimentar o peso de uma agenda progressista dentro do poder municipal.

