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    Prefeito de terenos barrou pedidos de investigação sobre contratos suspeitos antes de ser preso

    Dois meses antes de ser preso em uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), o prefeito afastado de Terenos, Henrique Budke (PSDB), impediu a apuração de contratos suspeitos de fraude solicitada pela Câmara Municipal. Documentos mostram que os vereadores enviaram três requerimentos oficiais pedindo informações sobre empresas investigadas, mas não obtiveram resposta do Executivo.

    A Câmara de Terenos, cidade localizada a 17 quilômetros de Campo Grande, requisitou cópias de contratos e notas fiscais referentes à RS Construções e Serviços Ltda. (CNPJ 24.272.210/0001-05), empresa apontada nas investigações como uma das beneficiadas no suposto esquema de corrupção.

    O primeiro requerimento, assinado em abril de 2025 pelo vereador Assis Alves de Almeida, o Saci (PSDB), solicitava notas fiscais emitidas pela RS entre janeiro e dezembro de 2024, após a constatação de que documentos anteriores não haviam sido entregues.

    Em junho, dez dos onze vereadores reforçaram o pedido, requerendo cópias do contrato com a RS e com outra empresa citada como “Rogério ME”, que não aparece no Portal da Transparência, o que indica possível erro de registro.

    No mês seguinte, o presidente da Câmara, Leandro Caramalac (PSD), solicitou ainda informações detalhadas sobre a operação tapa-buracos realizada pela RS, com pedido de planilhas de medição e notas fiscais. Até hoje, não há registro público de que os parlamentares tenham recebido resposta.

    Operação Spotless: prefeito afastado é acusado de liderar esquema de corrupção

    Em 9 de setembro de 2025, o Gaeco e o Gecoc deflagraram a Operação Spotless, que levou à prisão de Budke e outras 15 pessoas, entre empresários, servidores e vereadores. As investigações apontam que o prefeito liderava uma organização criminosa instalada na Prefeitura de Terenos, que fraudava licitações e desviava recursos públicos.

    Segundo o Ministério Público Estadual (MPMS), o grupo direcionava contratos de obras e serviços públicos, revezando empresas em licitações combinadas. O esquema também envolvia pagamento de propina para servidores e empresários. Estima-se que as fraudes tenham superado R$ 15 milhões no último ano.

    O procurador-geral de Justiça, Romão Ávila Milhan Júnior, classificou o caso como “um verdadeiro balcão de negócios comandado pelo prefeito municipal”.

    Após 20 dias preso, Henrique Budke foi solto em 3 de outubro de 2025, por decisão do ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O magistrado substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, como o afastamento do cargo, uso de tornozeleira eletrônica, proibição de acesso à Prefeitura e contato com demais investigados.

    Na decisão, o ministro ressaltou que, apesar da gravidade das acusações, “não ficou demonstrada a indispensabilidade da prisão preventiva”, mas manteve a possibilidade de novo decreto prisional em caso de descumprimento das condições impostas.

    Denúncia do MPMS

    O MPMS denunciou Henrique Budke e outras 25 pessoas por fraude em licitações, corrupção e organização criminosa. Entre os denunciados estão empresários, servidores municipais e vereadores, como Arnaldo Glagau (PSD), além de diversos prestadores de serviço ligados à RS Construções.

    A Operação Spotless — nome que remete à necessidade de processos “sem manchas” na administração pública — contou com apoio da Polícia Militar, por meio do Batalhão de Choque (BPChoque) e do Bope, e teve origem na Operação Velatus, deflagrada em 2024.

    As investigações seguem em curso, e o afastamento de Budke, que inicialmente era uma decisão administrativa, agora passa a ser uma medida judicial, sob monitoramento permanente.

    Redação

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