Denúncia de motoristas sobre “extorsão velada” no Consórcio Guaicurus repercute na Câmara Municipal
O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Papy (PSDB), defendeu nesta quinta-feira (23) a abertura de uma investigação sobre o Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo da Capital. A declaração foi feita após denúncias de motoristas que acusam os empresários do setor de forjar paralisações para pressionar o poder público por mais recursos.
“Não vamos aceitar esse tipo de prática. Se o Estado e o município prometeram, o Consórcio também tem que cumprir. Mas não vamos aceitar pressão. Vou pedir uma investigação oficial para averiguar”, afirmou Papy.
A denúncia gerou forte repercussão entre os vereadores, que criticaram duramente a conduta dos empresários do transporte.
Motoristas denunciam “greves de fachada”
De acordo com relatos de motoristas e ex-funcionários do Consórcio Guaicurus ao jornal Midiamax, as últimas paralisações do transporte coletivo teriam sido planejadas pelos próprios empresários, em um esquema descrito pelos trabalhadores como uma forma de “extorsão velada”.
Um motorista que pediu anonimato relatou que as ordens para interromper o serviço partem diretamente da chefia.
“A gente chega pra trabalhar normalmente e é avisado pelos chefes, já na garagem, que é pra segurar os carros. Dizem que é pra esperar a imprensa, pra criarem um caos e liberarem a verba. Se isso não é armação, eu não sei o que é”, afirmou.
Ainda segundo os relatos, o objetivo das paralisações seria pressionar o município a liberar repasses financeiros ao Consórcio. Nesta quarta-feira (22), após cerca de uma hora sem ônibus circulando, a Prefeitura de Campo Grande realizou o pagamento de R$ 1,6 milhão à concessionária, valor cuja nota, segundo a administração municipal, havia sido emitida na véspera do movimento.
Sindicato nega irregularidades
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU), Demétrio Freitas, negou que o movimento tenha sido articulado pelos empresários. Ele afirmou que a paralisação ocorreu devido ao atraso no adiantamento salarial, que deveria ter sido pago na segunda-feira (20).
“Foi por isso que fizemos o protesto. Agora estamos convocando uma assembleia para deliberar oficialmente sobre a greve. O trabalhador vai decidir se vai parar ou não”, declarou o sindicalista.
Prefeitura diz que repasses estão em dia
A prefeita Adriane Lopes (PP) rebateu as críticas e garantiu que os pagamentos referentes ao passe dos estudantes estão regularizados.
“Nós só pagamos depois que o serviço é prestado. Assim que fecha o mês, é feito o cálculo e o pagamento. Está em dia, e acabam usando isso politicamente”, afirmou.
Motoristas contrários à atuação do Sindicato afirmam, porém, que o Consórcio teria condições de arcar com a folha de pagamento mesmo sem o repasse imediato, mas preferiria utilizar as paralisações como instrumento de pressão.
“Eles poderiam pagar e depois cobrar da Prefeitura. A prioridade deveria ser não deixar os funcionários sem o adiantamento, mas fazem o contrário. Param e jogam a culpa nos motoristas”, disse um dos denunciantes.

