Após a megaoperação no Rio de Janeiro que resultou em mais de 120 mortes de criminosos, o prefeito de Bela Vista, Gabriel Boccia (PP), elogiou a decisão do governo do Paraguai de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como grupos terroristas, mas criticou a ausência de atuação mais firme do Governo Federal nas fronteiras de Mato Grosso do Sul.
A medida paraguaia, acompanhada pela Argentina, foi adotada diante da preocupação de que líderes criminosos possam tentar fugir para países vizinhos após a ofensiva policial no Rio. Para Boccia, o endurecimento das leis nos países fronteiriços pode ajudar a reduzir os riscos para a população sul-mato-grossense.
“A fronteira tem suas peculiaridades e me sinto otimista com a evolução que está acontecendo”, afirmou o prefeito.
Bela Vista, localizada a 313 km de Campo Grande e separada por uma linha internacional da cidade paraguaia de Bella Vista Norte, possui cerca de 21 mil habitantes. Apesar da presença do 10º Regimento de Cavalaria Mecanizado — responsável por formar militares do Curso de Forças Especiais —, o município não conta com nenhum posto de segurança federal, como unidades da Polícia Federal ou da Polícia Rodoviária Federal.
Boccia criticou a falta de estrutura e defendeu que o governo brasileiro siga o exemplo dos países vizinhos, classificando as facções como organizações terroristas.
“O Governo Federal deixa a desejar no que tange aos cuidados com a fronteira. Bela Vista, por exemplo, não tem nenhum posto de segurança federal”, pontuou o prefeito.
Consórcio da Paz e segurança regional
Na quinta-feira (30), sete governadores — entre eles o de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) — anunciaram a criação do Consórcio da Paz, uma iniciativa voltada à integração entre os estados no combate ao crime organizado, com foco na troca de informações e apoio operacional.
Mato Grosso do Sul possui uma extensa faixa de fronteira com o Paraguai e a Bolívia, abrangendo 45 dos 79 municípios do estado. Em Ponta Porã, cidade-gêmea da paraguaia Pedro Juan Caballero, o prefeito Eduardo Campos (PSDB) também comentou a decisão do país vizinho.
Campos afirmou que a classificação das facções como terroristas demonstra o endurecimento da política de segurança no Paraguai, mas avaliou que o Brasil deve agir com cautela.
“O Brasil tem sua própria dinâmica de segurança e precisa considerar seus contextos específicos. A decisão do Itamaraty de não incluir as facções brasileiras como terroristas, em acordo recente com Argentina e Paraguai, mostra uma abordagem cuidadosa. É importante que o governo analise os impactos antes de tomar uma decisão”, destacou.

