Campo Grande sediou, nesta quinta-feira (27), o VIII Fórum do Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para Febre Aftosa (PNEFA), o primeiro realizado após o reconhecimento internacional do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em maio deste ano. O encontro ocorreu no auditório da Casa Rural e reuniu lideranças do setor produtivo, representantes do Governo do Estado e instituições da cadeia pecuária.
Nesta edição, os debates foram direcionados ao impacto do novo status sanitário, à responsabilidade do produtor na manutenção da vigilância e biosseguridade, além da estratégia estadual para abertura e consolidação de mercados internacionais para a carne bovina de Mato Grosso do Sul.
Entre as autoridades presentes estavam o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o presidente da Famasul, Marcelo Bertoni, o superintendente federal de Agricultura e Pecuária em Mato Grosso do Sul, José Antônio Roldão, e o diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold. O evento também contou com a participação de técnicos, produtores rurais, dirigentes de entidades do agronegócio e demais autoridades.

Novo status fortalece exportações, avalia Governo do Estado
Em declarção ao Fato67, o secretário Jaime Verruck destacou que o reconhecimento internacional é um divisor de águas para a pecuária sul-mato-grossense. Segundo ele, a segurança sanitária, aliada ao fim da vacinação, amplia a competitividade e abre portas para novos acordos comerciais.
“Somente neste ano, o Governo Federal já habilitou mais de 111 mercados para a carne bovina brasileira após o reconhecimento sanitário. Mato Grosso do Sul tem potencial para praticamente dobrar suas exportações”, afirmou Verruck. Ele também enfatizou que, com o novo status, o Estado passa a ter condições de expandir a suinocultura para mercados antes restritos. “Santa Catarina era o único estado que podia exportar carne suína. Agora, Mato Grosso do Sul também terá essa oportunidade”, completou.

O secretário reforçou a necessidade de manter vigilância constante para evitar qualquer retrocesso. “A manutenção do status sanitário é o foco central deste fórum. Não podemos correr o risco de registrar novos casos de febre aftosa”, destacou.
Setor produtivo teme dependência da China
O presidente da Famasul, Marcelo Bertoni, alertou para a vulnerabilidade da cadeia produtiva diante da concentração das exportações na China. Ele lembrou que, embora o país asiático tenha ampliado suas importações de carne bovina brasileira, passando de US$ 4 bilhões para US$ 7 bilhões, existe uma investigação em andamento sobre o mercado global de proteína, com previsão de conclusão em janeiro.

“Se a China decidir reduzir suas compras, teremos um impacto direto. Exportamos quase 60% da nossa produção para eles. A dependência é muito grande, e isso nos deixa expostos”, explicou Bertoni. Ele defendeu a abertura de novos mercados, citando Japão, Indonésia e outros países como prioridades estratégicas.
Sobre o fim do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, Bertoni ponderou que o impacto no setor de proteína animal foi limitado, mas trouxe alívio para outras áreas, como frutas, café e celulose. “Foi uma disputa comercial que chegou ao limite, trazendo inflação ao mercado americano. A redução das tarifas já era esperada”, avaliou.
Durante o fórum, também foi discutida a importação de tilápia pelo setor para ampliar a relação comercial com outros países e a possível abertura de mercados estratégicos, como o japonês, cuja tratativa se arrasta há anos.
Presenças que reforçam o diálogo sanitário
Além de Verruck, Bertoni, Roldão e Ingold, o fórum recebeu ainda representantes do Ministério da Agricultura, técnicos do PNEFA, dirigentes de sindicatos rurais, consultores da cadeia produtiva e autoridades responsáveis pela gestão do sistema de defesa sanitária no Estado. O encontro reforçou o compromisso conjunto de governo e setor privado para manter Mato Grosso do Sul em posição de liderança no mercado global de proteína animal.

