O bolsonarismo, convenhamos, nunca foi afeito a surpresas. A direita brasileira tem sua própria família imperial, que insiste em passar o bastão… para ela mesma. Com o ex-presidente Bolsonaro preso, seus filhos e a ex-primeira-dama em guerra interna, e um ex-mensaleiro comandando o partido com o maior fundo eleitoral do país para 2026, não era razoável esperar outra coisa senão que um herdeiro direto assumisse o lugar do patriarca.
Com Eduardo em “férias prolongadas” nos Estados Unidos e Donald Trump cada vez mais cordial com Lula, sobrou para Flávio Bolsonaro reivindicar a braçadeira e se autoproclamar o candidato da família.
Lula, que já tem seu “camisa 10” internacional garantido nos EUA, agora ganha um 9 no Brasil, com a escolha de Flavio Bolsonaro. Mas talvez não esperasse encontrar também um possível camisa 7 no tabuleiro.
O Movimento Brasil Livre (MBL), sempre dado como “morto” por muitos ao longo de vários períodos, conseguiu construir sua própria história. O grupo, que liderou as maiores manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e lançou inúmeros novos rostos na política, enfrentou em 2019 um de seus maiores desafios: o chamado “Derreta MBL”. Nesse período, o movimento sofreu ataques, teve o uso da ABIN para investigar seus membros, viu seus eleitos serem “capturados” pelo bolsonarismo, enfrentou campanhas de desinformação e uma imprensa governista que o atacava diariamente, suas redes foram inundadas de xingamentos do famoso “gabinete do ódio”, e suas transmissões ao vivo no YouTube chegaram a alcançar pouco mais de 150 pessoas.
Mesmo diante desse cenário, o MBL manteve-se firme. Estruturado e de forma organizada, resistiu às pressões externas e voltou a crescer. Durante esse período, viu Kim ser reeleito e o parlamentar manter influência na Câmara dos Deputados. Em meio a essas batalhas externas, havia uma inquietude interna: o desejo de criar um partido próprio. Esse sonho se concretizou com a fundação da Missão, que, em tempo recorde e com número recorde de assinaturas, foi criado e, sem perder tempo, lançou seu presidente como pré-candidato à Presidência.
A maioria dos brasileiros não faz ideia de quem ele é. Mas eu sei. E por isso afirmo: Renan é politicamente habilidoso como um dos poucos dessa geração. Entre todos os movimentos que emergiram no “Fora Dilma”, apenas o MBL conseguiu realizar a transição completa, de um grupo de jovens manifestantes para uma máquina política, com quadros eleitos em diversos estados, estrutura orgânica e, agora, seu próprio partido. É, enfim, um partido que nasceu de um movimento e não o contrário.
Renan ainda é desconhecido da maior parte do país. Vai precisar cruzar o Brasil em ritmo acelerado, conversar com políticos, jornalistas, lideranças locais, grupos culturais e econômicos, e com gente comum de cada canto. Mas esse sempre foi o momento esperado pelo movimento, depois de anos construindo o corpo, chegou a hora de testar a alma, caminhando rua por rua, mesa por mesa.
E ele começa bem. Já aparece com 6% em pesquisas e tem um apoio orgânico da geração Z, que encontrou na Missão algo que nenhum dos extremos oferece: renovação real, uma missão verdadeira. É uma avenida larga, aberta, pronta para ser percorrida.
Com Flávio Bolsonaro e Lula disputando a hegemonia das torcidas organizadas da política brasileira, Renan Santos surge como o candidato dos insatisfeitos, dos que se sentem traídos pela velha política de sempre, inclusive pelas versões que prometeram ser “novas” e não foram. É o candidato das gerações que tentaram, falharam, caíram, levantaram e continuam tentando desde 2015.
Essa geração, ao contrário de seus pais e avós, não tem medo de começar de novo.
O futuro é incerto, mas anotem o nome dele, sem dúvidas, estará nos noticiários políticos dos próximos anos. E, como disse Winston Churchill, “Sucesso não é o final, falhar não é fatal: é a coragem para continuar que conta”.
Este artigo reflete a opinião dos colunistas e não necessariamente a posição do Fato67.

