O evento promovido pela senadora Soraya Thronicke na noite da última terça-feira no Ondara Palace, em Campo Grande, teve um recado tão claro que dispensou legenda: quem apostou no fim da carreira política dela após o rompimento com Jair Bolsonaro errou por muito. A senadora mostrou que continua no jogo, no centro dele, e com uma capacidade de articulação que poucos no estado conseguem repetir.

A demonstração de força
Com mais de 20 prefeitos presentes e lideranças de partidos que costumam evitar dividir o mesmo ambiente político, o encontro virou uma demonstração pública de força. A senadora, que adotou um estilo mais pragmático nos últimos anos, apostou no municipalismo e no diálogo amplo. O resultado apareceu no palco e no salão: PL, PP, PSDB, PT e Republicanos dividiram espaço sem constrangimentos, algo raro num estado em que alianças costumam ser mais previsíveis que surpreendentes.

Soraya troca o discurso ideológico pelo pragmatismo
Os bastidores do evento ajudam a explicar a nova fase da parlamentar. A chegada do articulador político Hélio Martins ao gabinete ampliou significativamente o alcance da senadora. Conhecido pela habilidade de construir pontes entre grupos que normalmente não se cruzam, Hélio tem sido responsável por destravar demandas municipais e aproximar Soraya de setores que até pouco tempo não faziam parte do seu círculo político. O reflexo disso é visível: a senadora fala menos de ideologia e mais de resolver problemas do dia a dia das cidades.

Soraya acendeu o sinal de alerta em Reinaldo Azambuja
Mas nem todo mundo recebeu bem a demonstração de força. O movimento acendeu o sinal amarelo para o ex-governador Reinaldo Azambuja, que tenta pavimentar um caminho tranquilo rumo à disputa pelo Senado. O cálculo dele incluía um cenário sem sobressaltos, sem competidores de volume relevante, mas há um detalhe que ele não controla: a resistência dentro do próprio grupo político. De um lado, aliados tradicionais reclamam da mudança para o PL, que classificam como um partido radical. Do outro, apoiadores do PL torcem o nariz para Reinaldo, lembrando que ele não tem histórico alinhado às pautas conservadoras e carrega nas costas investigações que insistem em ressurgir no debate público.
O desconforto aumenta quando se lembra que Soraya é autora da ação judicial que resultou no bloqueio de milhões de reais em bens do ex-governador. Em política, memória costuma ser seletiva, mas em alguns casos ela é simplesmente inesquecível. E, diante do que se viu no Ondara Palace, o recado parece ter sido compreendido: Soraya está na disputa, atrai apoios, reorganiza tabuleiros e não pretende atuar como coadjuvante em 2026.

