Na terça-feira (9), um grupo de estudantes do Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos (ISMAC) participou de uma oficina Gamificada de Matemática.
As atividades foram planejadas para atender às necessidades específicas dos estudantes com deficiência visual, com o objetivo de estimular aspectos psicológicos, motores e cognitivos.
A organização do evento ficou a cargo de Maria Victoria Lins Colnago, psicóloga do setor de Desenvolvimento Integrado da Criança e do Adolescente, e de Katiane Valera, professora do ISMAC. A oficina foi ministrada por Aline Mota Oliveira Amaral, técnica de Matemática da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul, e por Davi Cheikh, professor de Matemática.
Durante a oficina, os estudantes tiveram a oportunidade de explorar formas geométricas por meio de diferentes estratégias lúdicas. O manuseio de materiais concretos e táteis favoreceu a compreensão dos conceitos geométricos, estimulando o raciocínio lógico, a memória, a atenção e a capacidade de resolução de problemas. A vivência contribuiu diretamente para o desenvolvimento cognitivo, possibilitando uma aprendizagem significativa e adequada às necessidades dos participantes.
Em uma das etapas, foi utilizado um kit de robótica educacional para a construção de um carrinho, com peças semelhantes às de um LEGO. O desafio estimulou a coordenação motora fina, a organização espacial e a precisão dos movimentos, além de exigir planejamento, concentração e persistência. Do ponto de vista psicológico, a realização da tarefa promoveu sentimentos de competência, autoconfiança e satisfação pessoal, fundamentais para o fortalecimento da autoestima.
O professor Davi destaca que a robótica educacional ainda é pouco presente no cotidiano desses estudantes, principalmente por representar um desafio ao professor no processo de adequação das atividades, além de o kit não ser de fácil acesso. Segundo ele, o material foi cedido pela Escola Estadual José Ferreira Barbosa.
“Torço para que eles tenham outras oportunidades como essa, pois é uma atividade que realmente engaja, é interessante e permite expressar o lado artístico daquelas crianças”, afirmou o professor.
Além dos ganhos individuais, as atividades favoreceram a socialização ao incentivar a troca de experiências, a cooperação, o diálogo e o respeito ao ritmo e às habilidades de cada colega. O convívio em grupo contribuiu para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como empatia, comunicação e trabalho em equipe, essenciais para a inclusão social.
O aprendizado e a socialização desempenham papel fundamental no desenvolvimento global de crianças com deficiência visual. Atividades pedagógicas bem estruturadas oferecem oportunidades para que esses estudantes explorem o ambiente, construam conhecimentos e desenvolvam autonomia, confiança e habilidades sociais.
Dessa forma, ações educativas que integram estímulos cognitivos, motores e sociais mostram-se indispensáveis no processo de desenvolvimento, promovendo não apenas a aprendizagem acadêmica, mas também o crescimento emocional, a autonomia e a participação ativa no meio social.

