A indefinição sobre o futuro político da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), segue movimentando os bastidores da política estadual. Ainda não há definição se a sul-mato-grossense será pré-candidata ao Senado pelo Estado ou por São Paulo, nem sobre o grau de envolvimento dela na campanha de reeleição do presidente Lula (PT) em 2026, tema que tem gerado divergências dentro do MDB no Estado.
Simone Tebet já declarou publicamente o desejo de disputar uma vaga no Senado por Mato Grosso do Sul. No entanto, lideranças estaduais do MDB condicionam o apoio à ministra a uma mudança de posicionamento político, especialmente no que diz respeito a um eventual palanque em favor de Lula. O presidente do diretório estadual do partido, Waldemir Moka, já afirmou que Simone precisaria “mudar o discurso” para contar com o respaldo da sigla em MS.
Durante recente visita a Campo Grande, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, reforçou a parceria entre PT e MDB no plano nacional e afirmou que Simone Tebet é aliada do partido, destacando que a ministra deverá apoiar a reeleição do presidente. A declaração, no entanto, não foi bem recebida por parte da cúpula emedebista sul-mato-grossense.
No cenário local, o MDB já definiu apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel (PP). O governador, por sua vez, mantém alinhamento com o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), pré-candidato ao Senado, o que amplia as disputas internas e pode tensionar ainda mais o arranjo político, sobretudo diante da possibilidade de múltiplas candidaturas ao Senado no campo aliado.
Para Edinho Silva, a resistência do MDB de Mato Grosso do Sul em apoiar Simone Tebet, caso ela mantenha apoio a Lula, representa uma incoerência. “Eu respeito o MDB. Hoje é um partido que faz parte do governo do presidente Lula e conta com ministérios importantes. Então a contradição está nas lideranças do MDB aqui do Estado”, afirmou ao Jornal Midiamax.
As divergências internas já levantam a possibilidade de mudanças partidárias. O deputado estadual Junior Mochi, filiado ao MDB há mais de quatro décadas, não descarta deixar a legenda caso a direção nacional pressione o partido em MS a apoiar Simone Tebet com um discurso alinhado ao governo federal.
“Nós temos um problema de ordem política que não envolve apenas o MDB. Fizemos um acordo no início do mandato para apoiar Eduardo Riedel ao governo. Esse acordo previa também o cenário de 2026. Precisamos entender se o governo aceita um palanque independente, no qual ela apoiaria Lula e Riedel. Ainda é tudo conversa, mas eu me sinto incomodado com essa posição política. Dependendo da condução, talvez essa seja a alternativa”, declarou o parlamentar.
Em posição distinta, o presidente do diretório municipal do MDB em Campo Grande, Jamal Salém, afirmou que apoiará Simone Tebet independentemente do desfecho das articulações políticas. “Não posso falar em nome do MDB, porque não houve reunião sobre o assunto, mas, na minha opinião, ela tem o meu apoio. Ela é minha amiga e o pai dela foi meu padrinho político. Qualquer que seja a decisão dela, terá o meu apoio”, afirmou.

