O lançamento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, anunciado pelo ex-presidente Bolsonaro (PL), provocou mudanças nas articulações eleitorais e ampliou a projeção nacional de duas lideranças de Mato Grosso do Sul: a senadora Tereza Cristina (PP) e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB).
Nesse cenário, Tereza Cristina passou a ser citada pela imprensa nacional como possível pré-candidata da centro-direita à Presidência, especialmente com respaldo do agronegócio, setor no qual a ex-ministra da Agricultura mantém forte influência. Já Simone Tebet desponta, no campo da centro-esquerda, como nome cotado para ocupar a vice-presidência em uma eventual chapa de reeleição de Lula.
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro não é consenso nem mesmo entre partidos aliados. O descontentamento do agronegócio ficou evidente após a contratação de uma pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas que incluiu Tereza Cristina entre os nomes testados para a disputa presidencial. Até então, a senadora sul-mato-grossense era vista como opção prioritária para compor uma chapa como vice, especialmente ao lado de Tarcísio de Freitas.
Com a mudança de cenário, lideranças do setor passaram a defender o nome de Tereza Cristina como alternativa à polarização. Os números, contudo, ainda são modestos. Em um dos cenários de primeiro turno, a senadora aparece com até 2,5% das intenções de voto, atrás de Lula (37,8%), Tarcísio (26,2%), Ciro Gomes (8,7%), Ronaldo Caiado (5%) e Romeu Zema (3,9%). No segundo turno, Tereza teria 30,3% contra 44,6% de Lula.
Segundo o Paraná Pesquisas, o melhor desempenho contra o presidente seria de Tarcísio, com 42,5% contra 44% de Lula, enquanto Flávio Bolsonaro alcançaria 41% frente aos mesmos 44% do petista. Apesar do desempenho tímido, lideranças do agronegócio avaliam que a baixa pontuação de Tereza Cristina pode estar relacionada ao fato de ela sempre ter sido apresentada como candidata a vice. Caso passe a ser tratada como cabeça de chapa, o grupo acredita que a senadora ainda pode surpreender.
No campo da centro-esquerda, a entrada de Flávio Bolsonaro intensificou os debates internos no PT sobre a estratégia eleitoral. Simone Tebet ganhou destaque como peça-chave para ampliar a base da chamada frente ampla, formada em 2022. A possibilidade em discussão é substituir o atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que pode disputar o governo de São Paulo, pela ministra do Planejamento.
A avaliação no entorno presidencial é de que São Paulo será novamente decisivo. Em 2022, Lula obteve no estado cerca de 4,3 milhões de votos a mais do que Fernando Haddad em 2018, fator considerado determinante para a vitória apertada contra Bolsonaro. Tebet, nas últimas eleições, conquistou mais de 1,6 milhão de votos entre os paulistas, o que reforça sua projeção no maior colégio eleitoral do país.
Desde que assumiu o ministério, Simone Tebet ampliou sua visibilidade e passou a ser cogitada não apenas para a vice-presidência, mas também para disputar o Senado ou até integrar uma chapa majoritária em São Paulo. Embora no passado descartasse mudar seu domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul, a ministra já admite essa possibilidade.
Interlocutores afirmam que Tebet se animou após demonstrações públicas de apoio recebidas em São Paulo, incluindo um jantar promovido pelo Grupo Prerrogativas. A ministra já comunicou a aliados que permanecerá ao lado de Lula em 2026 e aceitará o papel que o presidente indicar.
Dentro do PT, Tebet é vista como ministra alinhada ao governo e nome viável tanto para a vice-presidência quanto para ampliar o diálogo com eleitores fora do campo tradicional petista. No entanto, seus planos enfrentam resistência no MDB paulista, que desde 2022 apoia o governador Tarcísio de Freitas. O presidente estadual do partido, Rodrigo Arena, trabalha pela reeleição do governador, o que dificulta uma eventual candidatura de Tebet pelo MDB com apoio formal de Lula.
Diante desse impasse, aliados da ministra já admitem, nos bastidores, a possibilidade de mudança de legenda, caso o cenário eleitoral evolua nesse sentido.

