O influenciador digital Firmino Cortada, que soma cerca de 2,1 milhões de seguidores no Instagram e produz conteúdo sobre política e entretenimento, foi citado em reportagem da revista Oeste como um dos possíveis nomes abordados para atuar na defesa do Banco Master nas redes sociais. A suspeita envolve a publicação de conteúdos favoráveis à instituição financeira e críticos ao Banco Central (BC) durante o processo de liquidação do banco.
O vídeo que colocou Firmino na lista de influenciadores mencionados tem cerca de 23 mil curtidas e foi publicado há aproximadamente duas semanas. No conteúdo, o criador comenta decisões envolvendo o Banco Master e órgãos de controle, tema que passou a ser investigado após suspeitas de uma atuação coordenada nas redes.
Firmino Cortada tem ligações políticas ao deputado estadual João Henrique Catan (PL), os dois chegaram a viajar juntos aos Estados Unidos para a posse do presidente Donald Trump. Segundo aliados, Catan teria cogitado lançar o influenciador como candidato nas eleições deste ano, ideia que não avançou após o crescimento e a continuidade da viralização dos vídeos de Firmino.
O influencer foi procurado pela equipe do Fato67 mas até o fechamento desta matéria não respondeu aos nossos questionamentos.

O deputado João Henrique Catan esteve ligado a polêmicas recentes. No ano passado, o site Fato67 revelou que o parlamentar atuava como advogado de um posto de combustíveis que teria sido abastecido com recursos públicos de campanha eleitoral e, posteriormente, com verbas da Assembleia Legislativa. Mais tarde, foi confirmado que um dos sócios do posto é ex-cunhado do deputado. Procurado à época, Catan não se manifestou sobre o caso.
Suspeita de atuação coordenada
No fim de 2025, diversas contas de influenciadores passaram a publicar conteúdos questionando a credibilidade do Banco Central e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) no processo de liquidação do Banco Master. Um dos pontos que chamaram a atenção das entidades foi o fato de muitos desses influenciadores não terem qualquer relação com o setor financeiro.
A Febraban levantou a suspeita de um ataque coordenado às instituições, concentrado em um intervalo de cerca de 36 horas. A liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 e segue sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU).
Na última terça-feira (6), o vereador de Erechim (RS), Rony Gabriel (PL), e a influenciadora Juliana Moreira Leite afirmaram publicamente que receberam propostas financeiras, no fim do ano passado, para divulgar conteúdos em defesa do Banco Master e contra o Banco Central. Ambos disseram ter recusado as ofertas.
Apesar das recusas, postagens com esse teor circularam com força nas redes sociais. Em 19 de dezembro, Firmino Cortada publicou um vídeo comentando decisão do TCU sobre o banco, citando reportagem do portal Metrópoles. No conteúdo, ele afirma defender a “autonomia e a liberdade” e diz que o Banco Central deve ter autonomia para atuar, mas respeitando normas estabelecidas pelos órgãos de controle.
Em nota publicada pelo Jornal Broadcast, Firmino declarou que suas manifestações foram fruto de “posicionamento pessoal e independente”, no exercício da liberdade de expressão, e negou qualquer vínculo comercial, publicitário ou contratual com o Banco Master ou com terceiros interessados.
Como influenciadores foram abordados
Segundo Rony Gabriel, ele foi contatado em 20 de dezembro por meio do Instagram por André Salvador, que se apresentou como representante da empresa UNLTD Brasil. Já Juliana Moreira Leite afirmou ter sido abordada por Junior Favoreto, do Portal Group BR, agência voltada a influenciadores ligados à direita.

Em mensagens enviadas a Gabriel, Salvador disse que o grupo fazia “gerenciamento de crise para um grande executivo” e buscava apoio em uma “disputa política contra o sistema”, envolvendo figuras da esquerda e do centrão. O vereador apresentou à imprensa mensagens, documentos e gravações que sustentam seu relato.
De acordo com ele, a remuneração oferecida seria milionária, mas os detalhes só seriam apresentados após a assinatura de um contrato de confidencialidade, que previa multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. Após compreender o teor da proposta, Rony afirmou que recusou o trabalho.
Liquidação do Banco Master e contratação de escritório da esposa de Alexandre de Moraes
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, após o Banco Central concluir que a instituição não tinha condições de honrar seus compromissos financeiros e que todas as alternativas de mercado haviam sido esgotadas. Entre os fatores apontados estão dificuldades recorrentes de caixa, captação de recursos a custos elevados, exposição a ativos de baixa liquidez e indícios de irregularidades contábeis e operacionais.
Com a liquidação, as atividades do banco foram interrompidas, a diretoria afastada e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) acionado para ressarcir investidores dentro dos limites legais. As investigações se concentram, principalmente, em operações com o BRB e em transações envolvendo fundos ligados à gestora Reag.

O escritório de advocacia Viviane Barci de Moraes, que tem como sócia a esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, firmou um contrato no valor de R$ 129 milhões com o Banco Master. Pelo acordo, estava prevista uma remuneração mensal de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos, entre 2024 e 2027, porém os repasses foram suspensos após o Banco Central decretar a liquidação do banco.
Dono do banco
O controlador do Banco Master é o empresário Daniel Vorcaro, que assumiu a instituição em 2019 e adotou uma estratégia de crescimento acelerado, baseada na captação de recursos de investidores pessoas físicas. Segundo apurações, Vorcaro autorizou a emissão de CDBs com taxas acima da média de mercado e operações que hoje são alvo de investigação.
Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro afirmou que não houve prejuízo ao BRB nas operações investigadas. As autoridades seguem analisando documentos, movimentações financeiras e responsabilidades individuais para verificar se a versão apresentada se sustenta diante das provas reunidas.

