Após anos de trabalho pesado nas lavouras, o produtor rural João Martinelli decidiu mudar o rumo da própria história. Aos 56 anos, deixou a rotina como empregado no campo e passou a investir na pequena propriedade herdada do pai, em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. Ao lado da esposa, Ramona, encontrou o local abandonado e iniciou, com esforço próprio, um processo de reconstrução que mudou a vida do casal.
O ponto de virada veio com a adoção do sistema hidropônico e o acompanhamento da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG Prepara), programa do Senar/MS voltado à inclusão produtiva da agricultura familiar. A combinação trouxe mais organização à produção, redução de perdas, aumento da renda e melhoria na qualidade de vida.
No início, a produção era feita de forma tradicional, diretamente no solo, com muito trabalho manual. Mesmo simples, representava a realização de trabalhar para si, na própria terra. A ideia de mudar surgiu durante uma viagem ao Paraná, quando João conheceu, por acaso, o cultivo de hortaliças fora do solo. Curioso, buscou informações e decidiu implantar a hidroponia na propriedade.
A primeira estrutura foi montada de forma improvisada, com ajustes ao longo do caminho. Com o tempo, o sistema foi sendo aprimorado, especialmente após o início do acompanhamento técnico do Senar/MS. O técnico de campo passou a orientar o produtor sobre manejo, controle de pragas e organização da produção, solucionando problemas que antes comprometiam a colheita.
Hoje, o casal cultiva alface, rúcula e agrião em sistema hidropônico, com plantas de melhor qualidade e menor esforço físico. A assistência técnica trouxe mais segurança nas decisões e fortaleceu a comercialização dos produtos.
Para João e Ramona, o maior resultado vai além da produção: é a possibilidade de viver com mais tranquilidade, autonomia e dignidade no campo. A pequena horta, que começou de forma simples, tornou-se exemplo de como iniciativa, orientação técnica e perseverança podem transformar realidades na agricultura familiar.

