A eleição para as duas vagas ao Senado Federal sul-mato-grossense caminha para ser uma das mais disputadas da história do Estado, com um cenário fragmentado e nomes de peso tanto da direita quanto da esquerda.
Entre os atuais senadores, Soraya Thronicke (Podemos) e Nelsinho Trad (PSD) tentarão a reeleição. Ambos buscam reposicionar suas imagens políticas para dialogar com diferentes segmentos do eleitorado, em um ambiente marcado pela polarização nacional e por rearranjos partidários no Estado.
O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) conta com forte apoio de prefeitos e vereadores do interior. Azambuja assumiu o comando do Partido Liberal estadual, com aval do presidente nacional da sigla, Valdemar da Costa Neto. Desde então, segundo aliados, tem comandado de perto as articulações políticas para as eleições deste ano, não apenas dentro do próprio partido, como também sendo consultado na formação de outras siglas.
No entanto, o cenário dentro do PL ganhou um elemento de tensão com a volta do ex-deputado estadual Capitão Contar à legenda. A filiação, costurada em Brasília, foi anunciada publicamente pelo próprio Valdemar da Costa Neto nas redes sociais e caiu como surpresa no diretório estadual. Apesar da visibilidade, Contar enfrenta resistência interna e pressão para que recue da disputa ao Senado e concorra a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Outro nome que deve entrar na disputa é a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira. Atualmente no PL, ela já sinalizou a aliados que não pretende recuar e deve oficializar sua filiação ao Partido Novo em março. Gianni aposta no eleitorado conservador e deve se apresentar como uma alternativa da direita.
Nelsinho Trad, por sua vez, tem reforçado seu discurso de direita e mantido proximidade com o bolsonarismo. O senador chegou a viajar com o ex-presidente Bolsonaro aos Estados Unidos, onde participou de encontros políticos e se reuniu com o presidente norte-americano Donald Trump. Segundo aliados, Trad aposta no eleitorado mais moderado da direita e em sua base consolidada em Campo Grande para buscar a reeleição.
Já a senadora Soraya Thronicke confirmou que permanecerá no Podemos, após receber convites de partidos como PDT e PSB. Em entrevistas recentes, afirmou que pretende manter independência na disputa presidencial. “Nem Lula, nem Flávio Bolsonaro”, declarou em entrevista a uma rádio da Capital. Soraya mira o eleitorado moderado e aposta em pautas como a defesa das mulheres e dos animais para ampliar seu alcance entre eleitores de centro, centro-direita e centro-esquerda.
Na esquerda, o principal nome é o deputado federal Vander Loubet (PT). O parlamentar consolidou sua pré-candidatura ao Senado após a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), já admitirar que irá transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo, movimento que deve ser confirmado oficialmente após o Carnaval. Aliados avaliam que o PT tem chances reais de garantir ao menos uma das duas vagas ao Senado, impulsionado pela estrutura partidária e pelo alinhamento com o governo federal.

