Nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, durante sessão ordinária na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, o deputado estadual João Henrique Catan, do PL, protagonizou um discurso que ampliou o debate político no Estado ao direcionar críticas à Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul, a FIEMS, e ao modelo de incentivos fiscais adotado pelo governo estadual.
Ao utilizar a tribuna no Grande Expediente, Catan afirmou que grandes empresários estariam sendo beneficiados por incentivos fiscais bilionários e declarou que o governador Eduardo Riedel seria “marionete lá de dentro da Fiems”. Também ironizou a política de compliance do Executivo, chamando-a de “comprice” e sugerindo a existência de contratos e notas frias, sem apresentar, no momento da fala, documentação pública detalhada que sustentasse as acusações.
A fala provocou desconforto especialmente entre setores liberais e conservadores que tradicionalmente defendem a livre iniciativa, a segurança jurídica e o fortalecimento institucional das entidades representativas da indústria e do comércio. Para parte desse grupo, o discurso destoou da retórica histórica da direita econômica, que costuma tratar federações empresariais como parceiras no desenvolvimento regional.
A FIEMS é a principal representante do parque industrial sul-mato-grossense e integra o sistema da Confederação Nacional da Indústria. A entidade atua na interlocução com o poder público, qualificação profissional e formulação de políticas voltadas ao crescimento econômico. Até o momento, não houve manifestação oficial da federação sobre as declarações feitas em plenário.
Especialistas ouvidos reservadamente pela reportagem avaliam que críticas a políticas de incentivo fiscal são legítimas dentro do debate democrático. No entanto, alertam que generalizações podem gerar insegurança institucional e ruídos no ambiente de negócios, especialmente quando envolvem acusações indiretas sobre integridade administrativa.
Outro ponto que chamou atenção foi a crítica do deputado aos mecanismos de fiscalização tributária. Desde 2007, programas de incentivos fiscais no país seguem regras nacionais e estaduais que exigem contrapartidas e mecanismos de controle. Questionar o modelo é parte do processo legislativo, mas propor restrições à fiscalização pode ser interpretado como tensionamento com o próprio arcabouço legal vigente.
No campo conservador, a reação também foi de cautela. Lideranças que defendem ordem institucional e previsibilidade jurídica observam que ataques amplos a entidades representativas podem ser percebidos como discurso de confronto permanente, estratégia comum em ambiente de polarização política.
O episódio levanta uma pergunta que circula nos bastidores da política estadual: é coerente que um parlamentar alinhado ao discurso de defesa do setor produtivo adote tom hostil contra a principal entidade que o representa? A resposta dependerá dos próximos desdobramentos, da eventual apresentação de elementos concretos que sustentem as acusações insinuadas e da reação institucional da FIEMS.

