Operação Irmandade apreende material com frase “Maomé pedófilo?” e bandeiras nazistas em investigação contra grupo 1143
A Polícia Judiciária portuguesa apreendeu materiais com a inscrição “Maomé pedófilo?”, bandeiras nazistas e uma faixa com a palavra “Remigração” durante a Operação Irmandade, que resultou na detenção de 37 pessoas suspeitas de integrar o grupo 1143, classificado pelas autoridades como organização neonazista.
Segundo informações divulgadas no âmbito da investigação, os materiais fariam parte de um conjunto de ações planejadas pelo grupo com o objetivo de provocar reações da comunidade muçulmana em Portugal. Entre os planos descritos no despacho judicial está a produção e divulgação de um vídeo com conteúdo considerado ofensivo ao islamismo, previsto para ser lançado em fevereiro de 2026.
A frase “Maomé pedófilo?” aparece em documentos e materiais apreendidos durante as buscas, que somaram 67 mandados cumpridos em diversas regiões do país, incluindo na cela do líder histórico do grupo, Mário Machado. De acordo com a investigação, mesmo preso, ele continuaria a orientar integrantes da organização.
Além das mensagens consideradas provocatórias, os investigadores recolheram bandeiras com simbologia nazista e uma faixa com o termo “Remigração”, expressão usada por movimentos anti-imigração na Europa para defender a expulsão ou retorno forçado de imigrantes aos seus países de origem. As autoridades avaliam que o conjunto dos materiais reforça a linha ideológica atribuída ao grupo.
Estrutura organizada e suspeita de preparação paramilitar
A Polícia Judiciária sustenta que o 1143 possuía estrutura hierárquica, núcleos regionais e canais de financiamento próprios, incluindo venda de produtos e arrecadação de doações. A marca do grupo teria sido formalmente registrada.
A investigação aponta ainda para a realização de treinos em um terreno na região de Palmela, onde integrantes teriam participado de exercícios descritos como preparação para combate urbano. Para os investigadores, o grupo estaria se preparando para “passar das palavras aos atos”, com potencial risco de confrontos violentos.
Entre os detidos estão cinco mulheres, um agente da Polícia de Segurança Pública e um militar da Marinha, além de militantes e ex-militantes partidários. O Ministério Público deverá solicitar prisão preventiva para parte dos investigados.
Contexto e reação
O diretor nacional da Polícia Judiciária afirmou que a operação teve como objetivo evitar possíveis episódios de violência. Dados oficiais indicam que os crimes de incitação ao ódio em Portugal aumentaram significativamente nos últimos anos.
A defesa dos acusados contesta as acusações. Advogados afirmam que não houve prática de crimes e sustentam que as manifestações se enquadrariam no âmbito da liberdade de expressão. Também rejeitam a classificação do 1143 como grupo neonazista.
A Justiça portuguesa agora avaliará as medidas cautelares e o avanço do processo. A investigação segue para apurar o grau de organização, eventuais conexões internacionais e a extensão dos planos atribuídos ao grupo.

