Cerca de 40 comerciantes que mantêm barracas às margens da BR-163, no distrito de Anhanduí, participaram nesta quarta-feira (25) de audiência pública e relataram insegurança diante da possibilidade de retirada das estruturas com o avanço da duplicação da rodovia. O encontro foi promovido pelo vereador André Salineiro, na região sul de Campo Grande.
Durante a reunião, trabalhadores afirmaram que a eventual remoção pode comprometer o sustento de dezenas de famílias que dependem da atividade há anos. Além do impacto direto sobre os proprietários das barracas, os participantes ressaltaram que há reflexos em uma cadeia econômica mais ampla, que envolve fornecedores, produtores rurais e prestadores de serviço locais.
O comerciante Eronildes Machado de Oliveira afirmou que a renda não beneficia apenas uma família, mas diversos trabalhadores ligados ao comércio da região. Já Claudete Soares da Silva destacou que, em outras cidades, a retirada de barracas às margens de rodovias resultou em queda no movimento e prejuízo ao comércio local. Segundo ela, a clientela formada principalmente por caminhoneiros tende a não se deslocar para pontos distantes da estrada.
A duplicação do trecho será executada pela concessionária Motiva Pantanal, responsável pela administração da via. A empresa não enviou representante à audiência, mas informou por ofício que ainda realiza estudos técnicos e que não há definição formal sobre a situação das barracas.
Apesar da ausência de decisão oficial, o clima entre os comerciantes foi de apreensão. Salineiro declarou que continuará acompanhando o tema e defendendo diálogo antes de qualquer medida definitiva. O vereador também lembrou que protocolou projeto de lei propondo o reconhecimento das barracas de Anhanduí como patrimônio histórico e cultural do município, com o objetivo de garantir proteção institucional à atividade tradicional.
O caso segue em debate, enquanto comerciantes aguardam posicionamento oficial sobre os impactos da obra e possíveis alternativas.

