Michelle divulga carta de Bolsonaro em apoio a Pollon ao Senado; esposa do deputado deve disputar vaga na Câmara
Menos de 48 horas após repercussão negativa envolvendo o nome do deputado federal Marcos Pollon (PL), o cenário dentro do bolsonarismo sofreu reviravolta. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou nas redes sociais uma carta atribuída ao ex-presidente Bolsonaro declarando apoio ao parlamentar sul-mato-grossense para o Senado.

Michelle publicou o documento após visitar o ex-presidente. Na carta, Bolsonaro afirma que divulgará em breve a lista oficial de pré-candidatos ao Senado em todo o país e adianta a definição para o Estado.
“Brevemente publicarei a lista dos nossos pré-candidatos ao Senado pelo Brasil. Por deliberação do presidente Valdemar, tal lista ficaria sob minha responsabilidade. Adianto que por Mato Grosso do Sul, pelo seu caráter, honra e dedicação enquanto deputado federal, o meu candidato será Marcos Pollon”, diz o texto.
Nos bastidores, a disputa interna era pela segunda vaga do partido ao Senado em Mato Grosso do Sul. A primeira já havia sido prometida por Bolsonaro ao ex-governador Reinaldo Azambuja. Com a carta tornada pública, Pollon deve assegurar a segunda posição na chapa bolsonarista.
Paralelamente, ganhou força a possibilidade de uma dobradinha familiar dentro do PL. A articulação prevê Pollon como candidato ao Senado e sua esposa, Naiane Bittencourt, como candidata à Câmara dos Deputados. Naiane é próxima de Michelle e já chegou a ser citada internamente como nome para deputada federal.
O nome do deputado dividia espaço com o do ex-deputado estadual Capitão Contar, até então apontado como favorito à segunda vaga, e da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, que agora precisarão reavaliar estratégias. Gianni, inclusive, está de saída para o Novo, legenda pela qual deve disputar uma das cadeiras ao Senado.
A possibilidade surge em um momento delicado para o parlamentar, que construiu parte de sua trajetória pública criticando práticas tradicionais da política e defendendo renovação nos métodos de atuação partidária. A presença de nomes da mesma família em disputas simultâneas pode gerar debates sobre coerência entre discurso e prática dentro do cenário eleitoral.
A possível dobradinha em família, no entanto, não é consenso dentro do grupo. Integrantes avaliam que o candidato ao Senado precisa ser um nome de toda a chapa, capaz de unificar pedidos de voto. Para parte da ala bolsonarista, a candidatura da própria esposa poderia dificultar essa convergência e gerar desconforto entre aliados.

