As primeiras informações levantadas durante a intervenção da Prefeitura de Campo Grande no Consórcio Guaicurus reforçam, segundo o vereador Dr. Lívio, as conclusões apresentadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo, realizada pela Câmara Municipal em 2025.
Presidente da comissão, Dr. Lívio afirmou que existe convergência entre o diagnóstico elaborado pela CPI e os primeiros apontamentos feitos pela equipe responsável pela intervenção no sistema de transporte coletivo da Capital.
A declaração foi dada em entrevista ao programa Giro Estadual de Notícias, do jornal A Crítica, no dia 14 de julho.
Segundo o vereador, a CPI realizou um levantamento baseado em documentos, análises técnicas e depoimentos, identificando problemas estruturais, financeiros e operacionais relacionados à prestação do serviço.
“Fizemos um trabalho bastante técnico, um levantamento minucioso que foi ao encontro do relatório também realizado pela comissão da Prefeitura. Vimos muitos pontos em comum, entre eles a necessidade da intervenção”, afirmou.
Entre as recomendações apresentadas pela CPI estava justamente a intervenção no Consórcio Guaicurus. O relatório parlamentar apontou problemas relacionados ao equilíbrio econômico e financeiro da concessão, à qualidade do serviço, ao envelhecimento da frota e à gestão do sistema.
Para Dr. Lívio, a existência de pontos semelhantes entre o trabalho realizado pela Câmara e as constatações iniciais da intervenção reforça o diagnóstico apresentado pela CPI.
Preocupação com continuidade do serviço
Apesar dos problemas apontados, o vereador afirmou que a principal preocupação neste momento deve ser garantir que o transporte coletivo continue funcionando normalmente para a população.
Milhares de trabalhadores, estudantes e famílias dependem diariamente dos ônibus para se deslocar pela cidade, o que torna a continuidade da operação uma das principais questões durante o período de intervenção.
“A preocupação maior hoje é com a manutenção da continuidade dos serviços públicos. Se a tese do Consórcio Guaicurus estiver correta, de que não há condições de continuar operando normalmente, a Prefeitura terá que aportar recursos para assegurar o funcionamento do transporte coletivo”, declarou.
Um dos primeiros dados financeiros levantados pela equipe interventora também chamou a atenção. O relatório inicial apontou aproximadamente R$ 20 milhões em dívidas do consórcio com fornecedores.
O número evidencia, segundo o vereador, a dimensão dos problemas financeiros encontrados durante a intervenção e reforça a necessidade de acompanhamento da situação.
Dr. Lívio também destacou que a solução para os problemas do transporte coletivo não pode ocorrer em prejuízo dos usuários.
“Segundo a prefeita, a continuidade dos serviços está garantida. É isso que esperamos, porque milhares de trabalhadores, estudantes e famílias dependem diariamente do transporte coletivo”, afirmou.
A intervenção da Prefeitura de Campo Grande foi estabelecida inicialmente pelo prazo de 180 dias. Durante esse período, a equipe municipal deverá analisar a situação operacional, financeira e administrativa do sistema e definir quais medidas poderão ser adotadas para garantir a continuidade e a melhoria do serviço.

