A Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) e o Sistema Famasul encaminharam ao Governo do Estado uma proposta de revisão do calendário fitossanitário da soja. O objetivo é adequar as regras de plantio à realidade atual da produção agrícola, sem comprometer o controle de pragas e doenças.
A principal mudança sugerida prevê a abertura da semeadura a partir de 1º de setembro, com encerramento em 15 de dezembro. Paralelamente, as entidades propõem que o vazio sanitário passe a ocorrer entre 1º de junho e 31 de agosto, mantendo os mesmos 90 dias obrigatórios sem a presença de plantas vivas de soja nas lavouras.
Atualmente, o vazio sanitário é realizado entre 15 de junho e 15 de setembro, enquanto o período autorizado para o plantio vai de 16 de setembro a 31 de dezembro.
Segundo representantes do setor produtivo, a proposta busca acompanhar os avanços da agricultura nas últimas décadas, marcados pelo desenvolvimento de cultivares mais precoces, novas tecnologias de manejo e maior eficiência nas operações de campo.
Outro argumento apresentado pelas entidades é a possibilidade de melhorar o planejamento da segunda safra, especialmente do milho, permitindo que a cultura seja implantada em um período considerado mais favorável do ponto de vista climático.
A proposta também prevê a uniformização do calendário agrícola em todo o Estado. De acordo com as entidades, a medida pode contribuir para reduzir riscos relacionados à formação das chamadas “pontes verdes”, que favorecem a sobrevivência e a disseminação de pragas e doenças entre diferentes regiões produtoras.
O pedido conta com pareceres técnicos favoráveis de instituições de pesquisa ligadas ao setor agropecuário, que apontam a manutenção dos níveis de segurança fitossanitária desde que sejam preservados os 90 dias de vazio sanitário e o limite de semeadura até meados de dezembro.
Os estudos também indicam benefícios para o manejo da ferrugem-asiática, o controle de plantas voluntárias e a adequação das atividades agrícolas às condições atuais de produção.
As entidades ressaltam, porém, que qualquer alteração no calendário não substitui a necessidade de observância ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que continua sendo uma ferramenta fundamental para orientar a tomada de decisão dos produtores conforme as características de cada região.
Além da proposta encaminhada ao Governo do Estado, representantes da Aprosoja/MS participarão de debates técnicos nacionais sobre o tema, envolvendo instituições de pesquisa, órgãos governamentais e representantes da cadeia produtiva da soja.

