O avanço da suinocultura brasileira aumenta a necessidade de mão de obra preparada para acompanhar a modernização das granjas. Em 2025, o Brasil registrou recorde no abate de suínos, com 60,69 milhões de animais, alta de 4,3% em relação ao ano anterior. Mato Grosso do Sul também contribuiu para o resultado, com aumento de 324,64 mil cabeças abatidas no período.
No primeiro trimestre de 2026, foram abatidos 15,27 milhões de suínos no país, crescimento de 5,5% na comparação com os primeiros três meses de 2025. O cenário de expansão, porém, traz um desafio para produtores e empresas: encontrar trabalhadores, desenvolver novas habilidades e manter esses profissionais no setor.
O tema foi discutido durante o 8º Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, realizado em Dourados pela Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores (Asumas). Uma das mesas do evento tratou justamente de estratégias para atrair, desenvolver e reter profissionais.
Participaram do debate o superintendente do Senar/MS, Lucas Galvan; o diretor executivo da Agroceres PIC, Alexandre Rosa; o coordenador corporativo de suinocultura da Aurora Coop, Sérgio Carvalho; e o suinocultor e diretor da Asumas, Milton Bigatão. A mediação foi do médico-veterinário Leandro Trindade.
Entre os pontos levantados está a necessidade de ir além da oferta de salário para manter trabalhadores nas propriedades. Condições de trabalho, benefícios, ambiente profissional, possibilidade de crescimento e formação também passaram a ser considerados na relação entre empresas e funcionários.
A tecnologia é outro fator que modifica o perfil das vagas. Automação, equipamentos e sistemas digitais reduzem tarefas repetitivas e mudam a rotina das granjas, aumentando a necessidade de profissionais capazes de lidar com novas ferramentas e processos.
Nesse cenário, a capacitação contínua ganha espaço. Segundo o Senar/MS, a entidade possui sete cursos voltados à suinocultura e capacitou mais de 2 mil pessoas na área nos últimos quatro anos. Também foi desenvolvida, em parceria com a Asumas, a Trilha do Conhecimento, com opções de formação para quem pretende ingressar na atividade ou avançar profissionalmente.
A discussão sobre mão de obra acompanha uma preocupação já identificada em eventos nacionais do setor, que apontam a escassez de profissionais qualificados, a rotatividade e a dificuldade de atrair novas gerações como desafios para a suinocultura.
Com a produção em expansão e as granjas cada vez mais tecnificadas, o setor passa a discutir não apenas como produzir mais, mas também como preparar e manter pessoas capazes de acompanhar as transformações da atividade.

