O deputado estadual João Catan segue sem se manifestar sobre a repercussão envolvendo o partido Novo e a família Vorcaro, alvo de questionamentos por parte de bolsonaristas após a divulgação de doação milionária à legenda durante as eleições de 2022.
Documentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, doou R$ 1 milhão ao diretório do Novo em Minas Gerais no período em que Romeu Zema disputava a reeleição ao governo do estado.
Henrique Vorcaro foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. O caso ganhou repercussão nacional e passou a gerar cobranças públicas de apoiadores do ex-presidente Bolsonaro contra integrantes do Novo.
Mesmo diante da pressão sobre o partido, João Catan não realizou qualquer manifestação pública cobrando esclarecimentos, investigação ou transparência sobre a doação feita ao diretório da legenda.
Enquanto evita comentar o episódio envolvendo a família Vorcaro, o parlamentar voltou a direcionar críticas à Cassems na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), retomando embates políticos contra a instituição dos servidores estaduais.
Nos bastidores políticos, adversários do deputado afirmam que o parlamentar teria adotado uma estratégia de intensificar ataques à Cassems em momentos de desgaste político ou diante de temas considerados desconfortáveis para seu campo político.
A postura passou a ser alvo de críticas pela diferença de tratamento adotada pelo deputado. Enquanto amplia publicamente o tom contra a entidade, evita questionamentos sobre um caso que atingiu diretamente o partido ao qual é filiado.
Críticos também apontam contradição no discurso de transparência defendido por João Catan. Segundo interlocutores, o deputado costuma cobrar rigor em denúncias envolvendo adversários políticos, mas manteve silêncio diante da ligação entre a legenda e um empresário preso em investigação conduzida pela Polícia Federal.
Entre opositores, a avaliação é de que o parlamentar tenta transformar a Cassems em um alvo político permanente, utilizando o tema como instrumento de desgaste e mobilização política, enquanto evita entrar em debates que possam gerar desconforto dentro do próprio grupo aliado.

