O senador sul-mato-grossense, Nelsinho Trad, pretende disputar a reeleição ao Senado Federal mesmo após ter sido condenado por improbidade administrativa em novembro de 2025. A decisão judicial, em primeira instância, também atingiu o ex-prefeito de Campo Grande Gilmar Olarte, além de ex-secretários, servidores públicos e empresários.
A sentença foi proferida pela 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos da Comarca de Campo Grande e está relacionada a irregularidades em contratos de tapa-buracos firmados pela prefeitura entre os anos de 2010 e 2015. Conforme a decisão, houve favorecimento a uma empresa de construção, resultando em prejuízos aos cofres públicos.
Entre as penalidades impostas estão o ressarcimento de valores milionários, aplicação de multas, perda de bens, suspensão dos direitos políticos e proibição de contratar com o poder público. No caso de Nelsinho Trad, a Justiça determinou a suspensão dos direitos políticos por 12 anos e o pagamento de multa civil de R$ 700 mil. A decisão, no entanto, ainda cabe recurso.
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a investigação identificou um esquema de desvio de recursos públicos por meio de contratos de recapeamento e manutenção de vias urbanas. Segundo o órgão, entre 2010 e 2012 foram firmados cerca de 30 contratos, que somaram mais de R$ 372 milhões até janeiro de 2015, sem que os serviços executados justificassem os valores pagos.
As apurações apontam que o então prefeito homologou edital de licitação com irregularidades, o que teria direcionado o processo licitatório. Ainda segundo a decisão, havia relação próxima entre o gestor público e sócios da empresa beneficiada. O resultado, conforme a sentença, foi a execução inadequada dos serviços e o pagamento de aproximadamente R$ 4,8 milhões.
A Justiça concluiu que o esquema envolvia direcionamento de licitações com restrição à concorrência, cobrança de valores acima do mercado e execução de serviços de forma mais onerosa do que o necessário. Também foram identificadas práticas como falsificação de medições e pagamento por serviços não realizados ou executados de forma irregular.
O outro lado
À época da condenação, o senador Nelsinho Trad divulgou nota à imprensa em que contestou a decisão e afirmou confiar na reversão do caso nas instâncias superiores.
“Cumpre destacar que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ajuizou doze ações de improbidade administrativa com o mesmo objeto entre os anos de 2016 e 2017. Destas, quatro já foram arquivadas após decisão judicial que reconheceu a inexistência de qualquer irregularidade praticada pelo senador Nelsinho Trad. Diante desse histórico, a defesa reitera absoluta confiança na Justiça e informa que irá recorrer da decisão”, diz o texto.

