Durante o lançamento do Instituto Diálogos, realizado nesta terça-feira (9), em São Paulo, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) defendeu uma atuação mais firme do Brasil na proteção de seu sistema de fiscalização sanitária diante dos obstáculos enfrentados nas exportações de carne para a Europa.
Em entrevista ao Jornal Midiamax, a parlamentar afirmou que o país precisa demonstrar a eficiência de seus mecanismos de controle para evitar prejuízos comerciais e garantir o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia.
Segundo Tereza Cristina, as relações comerciais passaram a ocupar posição estratégica na política internacional e devem permanecer no centro das discussões do Congresso Nacional.
“Esse é um assunto que hoje está todo dia na nossa mesa. Não existe mais aquilo de antigamente, quando você tratava esses assuntos apenas na OMC, e os tratados passavam só pelo Itamaraty e pelo Ministério da Indústria e Comércio. Hoje esse assunto está na pauta do mundo e do Brasil”, afirmou.
A senadora destacou que o Brasil, um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, precisa acompanhar atentamente as mudanças promovidas pelos principais mercados consumidores. Para ela, as políticas comerciais adotadas por Estados Unidos e Europa exigem monitoramento constante por parte do setor produtivo e dos parlamentares.
Acordo Mercosul-União Europeia
Ao comentar o acordo entre Mercosul e União Europeia, negociado ao longo de 26 anos, Tereza Cristina lembrou que o tratado ainda enfrenta desafios para sua consolidação.
“Nós assinamos o acordo Mercosul e União Europeia, que é um acordo que levou 26 anos para ser assinado e hoje nós já tivemos alguns reveses com ele”, declarou.
Entre os entraves, a senadora citou o descredenciamento de frigoríficos brasileiros para exportação ao mercado europeu. Segundo ela, a questão não está relacionada à qualidade da carne produzida no país, mas à necessidade de reforçar a confiança internacional no sistema de fiscalização sanitária brasileiro.
“Aí nós precisamos provar que o nosso sistema de fiscalização é bom, porque qualidade, eles sabem que há mais de 60 anos a gente exporta para a Europa”, afirmou.
Para a parlamentar, os debates sobre comércio exterior e geoeconomia devem ganhar ainda mais relevância nos próximos anos em razão da disputa estratégica entre as principais potências globais.
“Houve uma mudança estratégica no mundo de como se fazer comércio. Nós temos a China, os Estados Unidos e a Europa e o Brasil, que é um parceiro de todos eles. Como a gente atuar de maneira que possamos trazer proveito para o nosso país?”, questionou.

