A influenciadora digital Daniele Santana Gomes, conhecida nas redes sociais como “Coach Irônica”, deixou a prisão nesta terça-feira, dia 10, data em que completou 32 anos, após permanecer detida por 11 dias em Campo Grande. A soltura ocorreu por decisão da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que concedeu liberdade provisória mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Daniele havia sido presa no dia 30 de janeiro, após descumprir medidas protetivas de urgência impostas em processos que envolvem sua sogra e cunhada. O pedido de prisão preventiva foi formulado pelo Ministério Público Estadual, por meio do promotor de Justiça Izonildo Gonçalves de Assunção Júnior, com base no artigo 24-A da Lei Maria da Penha, que trata do descumprimento de medidas judiciais de proteção.
Antes da prisão, a influenciadora vinha utilizando suas redes sociais para divulgar denúncias e comentários de cunho irônico envolvendo figuras públicas e empresários. Entre os temas abordados estavam menções ao influenciador Firmino Cortada, citado em desdobramentos relacionados ao caso do Banco Master, além de referências a investigações que apuram suposta venda de sentenças no Estado, no âmbito da chamada Operação Última Ratio. As publicações levantaram debates e questionamentos nas redes, mas também ampliaram a exposição da influenciadora a disputas judiciais.
Segundo informações do processo, as medidas protetivas proibiam qualquer tipo de aproximação, contato ou menção às vítimas, inclusive por meio de redes sociais. As vítimas relataram à Justiça que as determinações vinham sendo descumpridas de forma reiterada, o que levou à decretação da prisão preventiva. O mandado foi cumprido por equipes do Grupo de Operações e Investigações da Polícia Civil.
Após a negativa de pedidos anteriores de habeas corpus, o desembargador responsável pelo caso entendeu que seria possível a substituição da prisão por medidas cautelares. Com a decisão, Daniele passa a responder em liberdade, mas permanece proibida de se aproximar ou manter contato com as vítimas, além de ter de comparecer bimestralmente em juízo e comunicar previamente qualquer intenção de se ausentar da comarca.

Durante o período de prisão, uma carta atribuída ao ex-companheiro da influenciadora, com quem manteve relacionamento por cerca de sete anos, veio a público. No texto, ele relata aspectos da vida pessoal de Daniele e menciona traumas de infância que, segundo ele, teriam impacto em seu comportamento na vida adulta. O conteúdo, apesar de divulgado, não integra formalmente os autos dos processos judiciais em curso.
A soltura no dia do aniversário encerra, ao menos por ora, um dos capítulos mais recentes envolvendo a influenciadora, que segue sob acompanhamento judicial. O caso reacende discussões sobre os limites entre liberdade de expressão nas redes sociais, responsabilidade legal e o uso de plataformas digitais como instrumento de exposição pública.

