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    Vereador bolsonarista de Paranaíba pode perder mandato por trocar União Brasil pelo PL

    A mudança de partido do vereador Sindoley Morais ganhou novos contornos após a confirmação de que ele pode perder o mandato caso a Justiça Eleitoral entenda que houve infidelidade partidária. Eleito em 2024 com 699 votos pelo União Brasil, o parlamentar deixou a sigla para se filiar ao Partido Liberal em um movimento que já vinha sendo articulado nos bastidores.

    A filiação foi oficializada na noite desta segunda-feira, em Campo Grande, na sede estadual do PL. Embora represente Paranaíba, Sindoley participou do ato na capital ao lado de lideranças do partido, reforçando o alinhamento com o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Ficha de filiação de Sindoley Morais ao PL | Foto: Site O Contribuinte

    A troca de partido, no entanto, ocorre fora das hipóteses previstas pela legislação eleitoral para vereadores. A chamada janela partidária, que permite a mudança de sigla sem risco de perda de mandato, é exclusiva para deputados estaduais e federais. Sem uma justificativa legal aceita pela Justiça Eleitoral, o parlamentar pode enfrentar um processo que leve à cassação do cargo.

    Caso isso ocorra, a vaga na Câmara Municipal de Paranaíba tende a ser ocupada pelo primeiro suplente do União Brasil, Marciel Manim, que recebeu 412 votos na eleição municipal de 2024.

    Nos bastidores, aliados defendem que a decisão de Sindoley não foi isolada, mas parte de um projeto político mais amplo alinhado ao campo conservador. A filiação ao PL já o coloca como pré-candidato a deputado estadual em 2026, ampliando sua projeção para além do município.

    A movimentação também tem sido comparada a trajetórias recentes da política nacional. Um dos exemplos citados é o do deputado federal Nikolas Ferreira , que em 2022 deixou o PRTB enquanto ainda exercia mandato de vereador em Belo Horizonte para se filiar ao PL, movimento que antecedeu sua eleição para a Câmara dos Deputados com votação expressiva.

    Apesar das semelhanças, especialistas em direito eleitoral apontam que cada caso possui particularidades e depende da análise de elementos como justa causa para desfiliação, perseguição política ou mudança substancial no programa partidário. Até o momento, não há confirmação pública de que Sindoley tenha apresentado uma dessas justificativas.

    A reportagem tentou contato com o vereador para esclarecer os fundamentos da decisão e possíveis estratégias jurídicas, mas não houve retorno até o fechamento deste texto. O espaço segue aberto.

    Enquanto isso, o episódio movimenta o cenário político local e coloca em evidência o risco calculado assumido pelo parlamentar. A tentativa de avançar para voos mais altos pode custar o mandato atual, transformando a estratégia em um teste direto entre projeto político e segurança institucional.

    Roger Usai

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