A tentativa do Partido Novo de construir uma aliança com o Democracia Cristã (DC) para a disputa do Governo de Mato Grosso do Sul encontrou resistência. Embora dirigentes das duas legendas tenham se reunido para discutir uma composição ainda no primeiro turno, o DC decidiu manter o projeto de candidatura própria e já marcou sua convenção estadual para o dia 1º de agosto.
Durante as conversas, foi apresentada a possibilidade de uma chapa encabeçada pelo deputado estadual João Henrique Catan (Novo), tendo o Economista Renato (DC) como candidato a vice-governador. A proposta, no entanto, não prosperou.
Segundo apuração do Fato67, o Democracia Cristã descartou abrir mão da cabeça de chapa. A legenda mantém o entendimento de que o Economista Renato será candidato ao Governo do Estado e admite apenas discutir uma composição em que o Novo indique o candidato a vice-governador e um nome para disputar o Senado.
A posição reforça a estratégia adotada pelo partido, que pretende utilizar a campanha para ampliar sua presença política no Estado, mesmo diante das limitações impostas pela legislação eleitoral.
Assim como o Novo, o Democracia Cristã não alcançou a cláusula de desempenho nas eleições de 2022. Com isso, a legenda não possui representação na Câmara dos Deputados, não tem acesso aos recursos do Fundo Eleitoral nem ao tempo de propaganda em rádio e televisão.
Apesar desse cenário, dirigentes do DC avaliam que abrir mão da candidatura ao Executivo estadual neste momento significaria enfraquecer o projeto político da sigla.
Do lado do Novo, o diálogo continua. O presidente estadual da legenda, Guto Scarpanti, já afirmou publicamente que o partido busca alianças com grupos que compartilhem princípios como combate à corrupção, redução da burocracia, defesa da liberdade individual e do livre mercado.
Nos bastidores, entretanto, interlocutores ouvidos pelo Fato67 afirmam que há preocupação no entorno de João Henrique Catan com a possibilidade de sofrer o que chamaram de “um vexame eleitoral” fragmentação do eleitorado de oposição ao governador Eduardo Riedel (PP). A avaliação dessas fontes é que uma candidatura isolada pode resultar em um desempenho eleitoral abaixo do esperado, inclusive com o risco de o Novo terminar atrás do pré-candidato do PT, Fábio Trad, e até mesmo do candidato do Democracia Cristã, legenda de menor estrutura partidária.
Na avaliação dessas mesmas fontes, um resultado desse tipo teria impacto político relevante sobre o projeto do Novo em Mato Grosso do Sul, especialmente por envolver um partido que, assim como o DC, não dispõe de recursos do Fundo Eleitoral nem de tempo de propaganda.
Com a convenção marcada para 1º de agosto, o Democracia Cristã demonstra que, ao menos neste momento, pretende seguir com candidatura própria ao Governo do Estado. As negociações entre as duas legendas, porém, permanecem abertas, embora o cenário mais provável hoje seja a manutenção de candidaturas distintas no primeiro turno.

