Após o relatório da intervenção apontar um passivo de aproximadamente R$ 20 milhões e uma série de problemas na operação do transporte coletivo de Campo Grande, o Consórcio Guaicurus voltou a atribuir a crise financeira a fatores externos, como o crescimento dos aplicativos de transporte e o aumento do uso de bicicletas.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (6), as empresas reconheceram as conclusões apresentadas pelos interventores, mas repetiram a justificativa utilizada desde a CPI do Transporte Público realizada na Câmara Municipal: segundo o Consórcio, o contrato opera há anos em desequilíbrio econômico-financeiro e a queda no número de passageiros, agravada pela pandemia e pela concorrência de novas formas de mobilidade, seria a principal responsável pela situação.
“O que levou à situação constatada pelos interventores foi a ausência do reequilíbrio econômico-financeiro do contrato”, afirmou o Consórcio.
A explicação, no entanto, volta a gerar questionamentos. Críticos da concessionária argumentam que a perda de passageiros é consequência, em grande parte, da baixa qualidade do serviço oferecido, marcada por reclamações frequentes sobre atrasos, superlotação, falhas operacionais e uma frota considerada insuficiente para atender à demanda.
Especialistas em mobilidade também avaliam que a concorrência com aplicativos e bicicletas é uma realidade enfrentada por sistemas de transporte em diversas cidades e, por si só, não explica o cenário financeiro da concessionária. Para eles, a competição exige modernização, melhoria na qualidade do serviço e maior eficiência operacional, fatores que contribuem para reconquistar usuários.

