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    Projeto Família? Novo troca liderança histórica do partido para prestigiar esposa de Catan

    A troca no comando do núcleo Mulheres do partido Novo em Mato Grosso do Sul expôs, mais uma vez, um velho hábito da política brasileira que insiste em sobreviver até nos discursos mais “novos”. A saída de Victoria Peixoto, filiada desde 2020 e até então presidente do grupo, abriu caminho para a chegada de Juliana Domingos Catan, esposa do deputado estadual João Henrique Catan.

    A mudança ocorreu sem grandes rodeios e com uma justificativa silenciosa que a política costuma dominar bem: espaço estratégico. Victoria deixa a função após anos de atuação para dar lugar a um nome que, curiosamente, estreia agora em cargo político formal. Coincidência ou planejamento, a resposta fica por conta da interpretação de quem acompanha os bastidores.

    João H. Catan (à direita) após a posse da esposa foi para o aniversário de Firmino Corrada (à esquerda), influencer que teve recentemente seu nome associado a grupo que supostamente teria recebido para fazer conteúdo positivo para o Banco Master

    A posse de Juliana aconteceu na sexta-feira (17), na sede do partido em Campo Grande, reunindo lideranças e apoiadores. No discurso, ela defendeu maior participação feminina na política e apontou falhas em políticas públicas voltadas às mulheres, citando dificuldades como falta de creches em tempo integral, ausência de atendimento em horários alternativos e limitações no acesso à saúde.

    A pauta é legítima. O contexto, nem tanto livre de questionamentos.

    Nos bastidores, o movimento foi rapidamente comparado a práticas já criticadas por setores da própria direita no estado. O caso da família Portela, liderada por Tenente Aparecido Portela, ainda é recente. À época, a escolha da filha como candidata com forte apoio partidário gerou ruído entre conservadores que cobravam coerência entre discurso e prática.

    uma fonte ligada ao partido que pediu para não ser identificada nos relatou grande descontentamento, “eu vim pro Novo para lutar contra a política de famílias feudais no estado, tirar uma pessoa como a Victoria que já estava a anos no partido para empossar uma recém chegada apenas por ser esposa do deputado me envergonha, fica parecendo aquele tenente do PL empurrando aquela filha dele de qualquer jeito”, disse o filiado do Novo.

    Agora, o roteiro parece ganhar uma nova versão, com mudança de elenco, mas sem grandes alterações no enredo.

    O que chama atenção é o contraste entre o discurso de renovação, frequentemente defendido por Catan, e a adoção de uma estratégia que, na prática, lembra justamente aquilo que seus eleitores costumam criticar. A política de proximidade familiar, ainda que comum em diversas legendas, tende a gerar desconforto quando aparece em partidos que se apresentam como alternativa ao modelo tradicional.

    Internamente, a substituição de um quadro histórico por um nome recém-chegado levanta dúvidas sobre critérios e prioridades. Meritocracia, experiência ou alinhamento pessoal. A pergunta permanece sem resposta oficial.

    Enquanto isso, o deputado segue tentando ampliar sua presença no cenário estadual, mas agora carregando junto um desgaste que não vem da oposição, e sim da própria lógica que ajudou a construir sua base.

    No fim, o “novo” continua sendo testado pelo velho. E, ao que tudo indica, nem sempre passa no próprio teste.

    Roger Usai

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