O episódio envolvendo a cobertura da passagem do deputado federal Nikolas Ferreira por Campo Grande ganhou novos contornos neste fim de semana após o site Regional Notícia denunciar ter sido impedido de acompanhar uma agenda institucional realizada no Instituto Mirim. A situação gerou questionamentos sobre a postura adotada pelos organizadores do evento e abriu uma crise nos bastidores da chamada “nova direita” sul-mato-grossense.
Segundo relato publicado pelo veículo, o jornalista Fábio Sniper do Regional Notícia, teria recebido convite formal da coordenação de imprensa ligada aos institutos Desperte e Governe presidido por Cassy Monteiro e o Instituto Mirim para cobertura da agenda. Mesmo comparecendo identificado e seguindo as orientações repassadas previamente, a reportagem afirma que o jornalista foi impedido de acessar o deputado e retirado do ambiente enquanto outros veículos participavam normalmente da cobertura.
O caso rapidamente repercutiu nos bastidores políticos por atingir justamente grupos que frequentemente utilizam discursos em defesa da liberdade de expressão, combate à censura e valorização da imprensa independente.
De acordo com o Regional Notícia, o jornalista Fabio Sniper teria sido informado diretamente por uma integrante da organização ligada à Cassy Monteiro de que não participaria da cobertura por conta da forma como atua profissionalmente. A frase atribuída à assessora passou a circular entre jornalistas e lideranças políticas locais, ampliando ainda mais a polêmica em torno do episódio.
A situação levantou questionamentos sobre a existência de uma possível filtragem ideológica dentro de um evento promovido por setores ligados à direita conservadora. Nos bastidores, o desconforto aumentou porque o impedimento teria ocorrido mesmo após confirmação prévia de presença junto à coordenação do evento.
Em nota enviada posteriormente, a coordenação de imprensa dos institutos Desperte e Governe e Mirim alegou que o veículo não teria realizado confirmação dentro do prazo necessário para credenciamento e organização logística. Segundo a organização, “em nenhum momento houve direcionamento pessoal ou restrição motivada por linha editorial”.
A justificativa, porém, passou longe de encerrar a controvérsia.
O Regional Notícia rebateu publicamente a versão apresentada e afirmou possuir conversas e confirmações prévias de integrantes da organização garantindo o acesso da equipe ao local. O veículo também sustenta que o impedimento ocorreu de forma direcionada e seletiva, o que classificou como incompatível com os princípios democráticos frequentemente defendidos pelos organizadores.
O episódio criou uma situação politicamente desconfortável para o Instituto Desperte e Governe, que vinha buscando se consolidar como espaço de articulação política conservadora no estado. Afinal, em um ambiente onde liberdade de expressão costuma ser apresentada como bandeira central, impedir ou restringir o trabalho de veículos críticos inevitavelmente gera desgaste público.
Outro ponto que chamou atenção nos bastidores foi o silêncio de parte das lideranças conservadoras presentes no evento. Até o momento, não houve manifestação pública do deputado Nikolas Ferreira sobre o caso.
A ausência de posicionamento passou a ser observada por jornalistas e integrantes do meio político local, especialmente porque o parlamentar construiu parte de sua trajetória nacional justamente em discursos contra censura e restrições à imprensa.
Enquanto isso, o episódio segue alimentando debates dentro da própria direita sul-mato-grossense. Para setores mais críticos, a situação expôs uma contradição crescente entre o discurso público de defesa da liberdade e práticas consideradas seletivas nos bastidores políticos.

