A reta final da janela partidária em Mato Grosso do Sul foi marcada por uma reviravolta envolvendo a senadora Soraya Thronicke. Após idas e vindas nos bastidores, a parlamentar decidiu deixar o Podemos e oficializou, nesta sexta-feira, sua filiação ao PSB, sigla pela qual pretende disputar a reeleição ao Senado.
A mudança ocorre após uma articulação que envolveu lideranças nacionais de peso. O movimento teve participação direta do assessor da senadora, Hélio Martins, peça fundamental na construção política de Soraya em Mato Grosso do Sul que atuou na construção de pontes com o pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos, além do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A filiação é interpretada como um gesto político claro de aproximação com o governo federal e de alinhamento a um projeto que busca dialogar com setores de centro e centro-direita no estado.

Outro nome importante na costura foi o da deputada federal Tabata Amaral, que mantém boa relação com Soraya e teria atuado para convencer a senadora a aderir ao PSB. A leitura nos bastidores é de que a entrada da parlamentar fortalece a estratégia nacional do partido de ampliar sua presença em estados estratégicos, como Mato Grosso do Sul.
A decisão, no entanto, não foi linear. Ao longo da semana, Soraya chegou a avançar nas negociações com o PSB, mas recuou e optou por permanecer no Podemos. A mudança de posição nesta sexta-feira pegou aliados de surpresa e reforçou a percepção de instabilidade nas definições políticas da senadora neste período pré-eleitoral.
Com a filiação ao PSB, Soraya passa a integrar um arranjo político que inclui a aproximação com o PT no estado. A tendência é que ela componha chapa ao lado do deputado federal Vander Loubet, também pré-candidato ao Senado, e do ex-deputado federal Fábio Trad, que desponta como nome para a disputa ao governo estadual.
A escolha pelo PSB também foi estratégica diante de outras possibilidades. A senadora chegou a ser convidada pelo PDT, mas avaliou que, no PSB, teria maior estrutura e apoio nacional para sustentar sua candidatura, especialmente com o respaldo de lideranças do governo federal.
Nos bastidores, a movimentação é vista como um reposicionamento político relevante. Ao migrar para uma legenda mais próxima do Palácio do Planalto, Soraya sinaliza disposição de caminhar ao lado de Lula no estado, em um cenário que ainda está em formação e que deve sofrer novos ajustes até o período eleitoral.

